OLIMPÍADA Fifa ameaça os planos de Luxemburgo Entidade quer reduzir para cinco dias a data-limite de liberação de jogadores estrangeiros para a Seleção Arquivo FolhaTempo curtoWanderley Luxemburgo, se a decisão for sacramentada, terá apenas quatro dias para preparar a seleção Agência Folha De São Paulo A provável redução do período de 15 para 5 dias da liberação dos jogadores pelos clubes estrangeiros para a Seleção Brasileira Olímpica, ameaça destruir não só o planejamento como o discurso do técnico da seleção, Wanderley Luxemburgo. Desde 1999, o treinador vem insistindo que a disponibilidade e a vontade de jogar na seleção são o que contam para ele. Nos últimos meses, por duas vezes, tomou decisões polêmicas por causa disso. O Comitê Olímpico Internacional (COI) sofreu ontem uma derrota na tentativa de aumentar o prestígio do futebol nos Jogos de Sydney, em setembro. Numa reunião na sede da entidade, em Lausane (Suíça), com a cúpula da Fifa, o presidente do COI, Juan Antonio Samaranch, não só não conseguiu nenhuma concessão sobre a formação das equipes, como viu surgir uma séria ameaça de que o torneio olímpico seja apenas um confronto de equipes improvisadas. O presidente da Federação Internacional de Futebol Association, Joseph Blatter, anunciou que vai propor ao comitê executivo da entidade o adiamento do dia-limite em que os jogadores terão que se apresentar a suas seleções. A Fifa defendia que os clubes teriam que ceder seus jogadores 15 dias antes da estréia de cada seleção na Olimpíada. Ontem, Blatter defendeu a redução desse prazo para apenas cinco dias. Como quase um dia será gasto na viagem à Austrália, as seleções terão só quatro dias de preparação. Nessa hipótese, as 16 seleções que irão tentar a conquista da medalha de ouro se enfrentarão quase sem treinamento prévio. A proposta de Blatter será votada na próxima reunião do comitê executivo da Fifa, nos dias 23 e 24 deste mês, em Zurique. Como a Europa, favorável à proposta, detém 8 dos 24 assentos do comitê, a idéia dificilmente será rejeitada – e, em caso de empate, é o voto do dirigente suíço vai decidir. Nos amistosos da Seleção Brasileira Pré-olímpica na Austrália, o técnico Luxemburgo mandou o atacante Ronaldo de volta para a Itália quando percebeu que só poderia tê-lo por um dos dois jogos que faria – e ainda criticou o jogador porque ele não enfrentou a decisão de seu clube e da própria Fifa. Na preparação para o Torneio Pré-Olímpico, o técnico cortou o capitão da equipe, o meia-atacante Denílson, porque o Betis exigiu – com o aval da Fifa – que ele interrompesse os treinos preparatórios para disputar dois jogos da Liga Espanhola. Denílson poderia voltar cinco dias antes da estréia do Brasil, mas isso não foi bastante para Luxemburgo. Agora, o problema atinge boa parte do time, como Fábio Júnior (Roma), Fábio Bilica (Venezia) e Warley (Udinese), os ‘‘estrangeiros’’ da seleção pré-olímpica, Alex e Ronaldinho, que podem ser negociados até lá, e os atletas com mais de 23 anos. Dos três que Luxemburgo pretende chamar para a Olimpíada, dois, Rivaldo (Barcelona) e Cafu (Roma), atuam no exterior. Nesse quadro, caberá a Luxemburgo escolher entre duas opções: usar só jogadores que possam se apresentar no prazo que ele quer ou se resignar a ter apenas cinco dias de treino. Seu consolo é que seus melhores adversários terão o mesmo problema. O torneio de futebol acontecerá de 13 a 30 de setembro em cinco cidades: Sydney, Melbourne, Brisbane, Canberra e Adelaide. As seleções já classificadas são Brasil, Chile e Austrália.