Três dias já se passaram, mas Anderson Cordeiro ainda custa acreditar no próprio feito. "Estou muito feliz, mas a ficha não caiu ainda", revela o atleta. Ainda em São Paulo, ontem, o garoto que acaba de se tornar campeão sul-americano da juventude na prova dos 400 metros relembrava os momentos que marcarão para sempre sua carreira.
"Tinha um atleta da Guiana com tempo melhor que o meu, e ele saiu na minha frente. Fiquei a prova inteira nas costas dele, e nos últimos 100 metros vi que tinha perna para passar e fui embora", narrou o velocista, lembrando a prova final do campeonato disputado em Lima, no Peru, no último final de semana. Seu tempo foi 48s14.
Cordeiro, de 16 anos, admite que o resultado foi uma surpresa. Isso porque duas semanas antes de viajar ao Peru, o jovem, considerado uma das principais promessas da equipe Londrina/Caixa/FEL/Oguido Dojô, sofreu uma lesão no músculo posterior da coxa direita e por muito pouco não ficou de fora da competição. "Fiquei umas duas semanas sem treinar praticamente, fazendo só fisioterapia, foi complicado. Não esperava esse resultado", lembrou.
Descoberto pelos técnicos da equipe de Londrina em uma peneirada, Cordeiro começou a treinar aos 12 anos. De lá para cá, mostrou uma evolução impressionante, consolidada em 2013 com o título nacional das provas dos 200 e 400 metros da categoria menores – nesta última, ele registrou novo recorde do campeonato. Os grandes resultados já lhe renderam até um apelido de peso: "Bolt londrinense".
Muito novo, o garoto até aceita o apelido, leva pelo "lado bom", mas mantém os pés no chão. Sabe que a carreira está só começando. Planos não faltam, motivação também não, ainda mais agora. "Foi minha primeira medalha internacional individual, uma motivação enorme para continuar treinando e voltar a disputar competições internacionais e conquistar mais resultados como esse", almeja o garoto.
Os próximos desafios do ‘Bolt londrinense’ já têm data confirmada. Primeiro Cordeiro vai defender Londrina na fase final dos Jogos da Juventude, entre os dias 18 e 27 deste mês, em Umuarama. Em novembro, de 7 a 16, em Belém, a meta é fechar o ano com chave de ouro na fase final das Olimpíadas Escolares (para atletas de 15 a 17 anos).

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