Ficha da eliminação só caiu no vestiário
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sexta-feira, 02 de julho de 2010
Luiz Antônio Prósperi<br>Agência Estado 
Port Elizabeth - Os jogadores da seleção brasileira não desabaram no gramado do estádio Nelson Mandela Bay assim que o árbitro japonês Yuichi Nishimura deu o apito final - com excessão de Daniel Alves. A passos rápidos, quase correndo, eles se refugiram no vestiário do Brasil. Tiveram tempo de ouvir a algazarra dos jogadores holandeses. Depois, o choro tomou conta do ambiente da seleção. Drama que se arrastou por quase uma hora. Chegava ao fim um grupo que se entregou por 42 dias, sem folgas, sem polêmicas, e voltou para casa mais cedo do que eles mesmo imaginavam.
''Se vocês tivessem acesso ao nosso vestiário, teriam sentido o quanto esse grupo se doou para a seleção brasileira. Fico orgulhoso de ser comandante desses jogadores, que honraram o Brasil'', disse Dunga, na sala de entrevistas do estádio. Depois, ele mesmo se juntou aos seus atletas para o último ato.
Quando Dunga voltou aos vestiários da seleção, após a entrevista coletiva, encontrou a maioria dos jogadores de banho tomado. Todos estavam com os uniformes verde oliva. Eles se abraçaram. Julio Cesar deixou o local e foi dar entrevistas. Enfrentou sozinho centenas de jornalistas e reconheceu a sua falha no primeiro gol da Holanda.
Sem o goleiro no vestiário, Lúcio pediu a palavra. Ressaltou a força daquele grupo, da amizade de todos, do empenho. Os jogadores se abraçaram. Inevitável a choradeira. E ainda eles tinham de passar pelo crivo de centenas de jornalistas. Em fila indiana, começaram a atravessar o labirinto da zona mista das entrevistas. Julio Baptista chorava com sentimento. Gilberto Silva tentou conter as lágrimas, não conseguiu.
''Ninguém mais que nós, jogadores, imagina o que estamos sentindo agora. Só a gente sabe o que a gente sofreu para chegar até aqui. Foi uma derrota dura. É um ciclo que se encerra...'', afirmou Gilberto Silva. Ele engasga e chora. ''É o final de um trabalho de quatro anos que a gente não queria. Foi uma honra trabalhar com esse grupo. O que fica é o orgulho de ter servido o Brasil''.
Um pouco atrás, vinha Robinho. Não quis falar nada. Em seguida, passou Nilmar. ''Entrei no momento difícil, mas não consegui reverter a situação'', disse o atacante, sem lágrimas no rosto. Passaram Maicon, Michel Bastos, Gilberto, Grafite, Luís Fabiano, todos calados. No final da fila, Dunga, Jorginho, Felipe Melo e Kaká. Sérios, cabeça erguida, passam o treinador e seu escudeiro. Felipe estufa o peito. Diz que não foi o vilão do jogo. Nem o culpado pela derrota. Também não derrama uma mísera lágrima. O último a passar é Kaká. Chora sem parar. ''Não é hora de buscar culpados. O time esteve sempre unido nas vitórias e também está unido agora eliminação'', disse Kaká, olhos vermelhos, voz embargada, entre um soluço e outro.
Assim que Kaká passou, o supervisor Américo Faria, sereno, levou todo mundo para dentro do ônibus pintado de verde e amarelo, há quase uma hora e meia após o apito final do juiz japonês. Havia um silêncio ali. Muitos com as mãos apoiando a cabeça. Na lateral da parte externa do ônibus, estava escrito: ''Lotado, o Brasil inteiro está aqui dentro''. E um técnico e um punhado de jogadores derrotados.


