LUIZ CLAUDIO OLIVEIRA
Fica Abel!
Fora Jacob Mehl!
Em meio à goleada que o Guarani impôs ao Coritiba em pleno Couto Pereira, a torcida, que já havia virado as faixas de cabeça para baixo e vaiado insistentemente o time, começou a gritar: ‘‘Fica Abel! Fora Jacob Mehl!’’ Preferindo que o técnico fique e que o presidente se afaste. Logo depois do jogo, o presidente Jacob Mehl, que não quis dar depoimento oficial, afirmava fora dos microfones que renunciaria. Se é para o bem do povão, diga ao povo que eu caio fora, seria o pensamento do Jacob.
O grito de desabafo dos coritibanos reflete bem o pensamento de todo torcedor paranaense seja na primeira, na segunda ou na terceira divisão. O que o torcedor quer e sempre vai querer, é que os times do Paraná deixem de ser meros coadjuvantes e comecem a entrar nas competições pensando em ser vitoriosos.
A torcida Coxa apoiou o técnico que levou um time já desacreditado no regional a ser campeão paranaense. Tirou tudo o que podia naquela ocasião e com dois empates suados levou um título que o Coritiba não via há nove anos. A faixa de campeão escondeu toda a precariedade do time e apesar dos pedidos do técnico, a diretoria do Coritiba não pôde – ou não quis arriscar – contratar reforços. Como até uma criança de colo sabe, o Campeonato Brasileiro é bem mais difícil que o Paranaense. Com os mesmos jogadores, deu no que deu.
Mas vamos voltar ao que os torcedores de Coritiba, Atlético, Paraná, Londrina e Rio branco querem: que seus respectivos times entrem nas competições para ganhar. Só um desses clubes tem desculpa – ou álibi – para não ter investido no futebol. É o Atlético, que construiu um estádio e não teve dinheiro para a contratação de jogadores.
O torcedor não quer saber que o Corinthians, que o Palmeiras, que o Flamengo, que o Vasco, que o São Paulo têm mais dinheiro porque têm apoio de empresas sócias e patrocinadores. O torcedor quer que os dirigentes do Paraná tenham a competência para que os nossos clubes também tenham esses associados e patrocinadores. Com times fracos, que nunca conseguem se impor, nenhuma empresa de peso vai se interessar em um investimento nos nossos clubes.
Os cartolas do Paraná têm que saber como atrair investimentos. Os torcedores sabem que não é com times fracos. Pelo menos já sabem mais que os dirigentes que formaram esses times e esperaram por milagres que não aconteceram. O grito, mesmo desesperado, tem sentido e não só para esse momento, mas, principalmente, para o futuro. Enquanto o dirigente ficar esperando por milagres, trabalhando no intervalo de suas atividades econômicas, fazendo um ‘‘bico’’ no esporte, o futebol do Paraná será sempre de segunda linha. Profissionalização já!
E o Eurico?
O Eurico Miranda invadiu o campo para ameaçar o árbitro e acabar com o jogo em que o Vasco perigava perder para o Paraná Clube. E agora, o Vasco vai perder os pontos? O São Januário vai ser interditado? O Eurico vai ser punido?

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