O presidente da Federação Internacional de Automobilismo (FIA), o inglês Max Mosley, prometeu e cumpriu: a partir de sexta-feira, quando começarem os treinos livres do GP da Malásia, o grupo técnico da entidade controlará a velocidade dos carros nas curvas. ‘‘Se ela for tão mais elevada como na Austrália, na abertura do Mundial, iremos solicitar sugestões dos diretores-técnicos das equipes para contê-la’’, afirmou o assessor de imprensa de Mosley, o italiano Francesco Longhanesi. ‘‘Na eventualidade de não haver acordo sobre as medidas a serem tomadas, a FIA decidirá sozinha o que fazer’’, explicou.
O conhecido Acordo da Concórdia, sucessor do Pacto da Concórdia, conjunto de normas que gerencia os regulamentos técnico e esportivo da Fórmula 1 até 2007, prevê que, nos casos de segurança, a FIA não necessita da concordância de 75% dos integrantes da Comissão de Fórmula 1 para aprovar alterações das regras. Ela é soberana.
O presidente da FIA declarou, semana passada, que se nas corridas da Malásia e do Brasil a evolução dos tempos for semelhante à verificada em Melbourne, ‘‘em seguida haverá mudanças.’’ A diferença entre o tempo da pole position do ano passado e a registrada nesta temporada na Austrália foi de 3 segundos e 664 milésimos.
Ontem, no circuito de Sepang, dentre os poucos personagens da Fórmula 1 presentes no belíssimo autódromo, as opiniões se dividiram a respeito do que irá acontecer. ‘‘A prova da Malásia de 2000 foi a última da temporada, quando os carros e os pneus estavam no auge do seu desenvolvimento’’, argumentou Pat Simon, diretor dos engenheiros da Benetton. ‘‘Não é o caso da Austrália, que foi a primeira do ano. Por esse motivo prevejo, aqui em Sepang, uma diferença nos tempos bem menor que em Melbourne.’’
Apenas dois pilotos estiveram ontem em Sepang e os dois são brasileiros, Luciano Burti, da Jaguar, e Enrique Bernoldi, Arrows, ambos na primeira temporada na Fórmula 1. ‘‘Dei duas voltas correndo pelo circuito e gostei bastante, por ser bem seletivo’’, comentou Burti, molhado de suor como se tivesse saído de uma piscina. A extensão do traçado é de 5.543 metros. ‘‘Chamou a minha atenção os dois S de alta velocidade, desafiantes e difíceis, e o fato de a pista quase não ser usada.’’
‘‘Tem de tudo nesse traçado, curvas de baixa, média e alta’’, destacou Bernoldi. ‘‘Acho que me darei melhor que em Melbourne por não gostar de pistas de rua.’’ Ele comentou que as sessões longas e rápidas do circuito representam um desgaste físico ainda maior do gerado pelo calor: ‘‘Eu não tenho direção hidráulica na Arrows, tenho que se segurar no braço e garanto que fica pesado nessas curvas rápidas.’’

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