FIA reage com normalidade ao início da guerra
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quinta-feira, 20 de março de 2003
Agência Folha 
Sepang - Os 6.813 quilômetros que separam Bagdá de Kuala Lumpur não foram suficientes para manter a euforia em torno da ''nova F-1''. Ontem, em Sepang, nos arredores da capital malaia, o principal assunto foi a guerra no Iraque. Na madrugada de amanhã, ofuscada pelo conflito, a categoria define o grid para a segunda etapa da temporada.
A sessão oficial, com os carros indo à pista para uma volta lançada será às 3 horas de sábado (de Brasília, com transmissão da Rede Globo). Na madrugada de hoje seria decidida a ordem dos pilotos nesse treino. Na cabeça de todos, a crise no Oriente Médio.
''Nós somos pilotos de F-1, mas não estamos de olhos fechados para o que acontece no mundo. É uma pena que toda a negociação tenha sido em torno de escolher o melhor momento para fazer a guerra. Deveria é ter tentado evitar a guerra'', afirmou o pentacampeão Michael Schumacher. ''É um momento triste para todo o mundo. Não haverá vencedores. Todos perderão'', disse o italiano Jarno Trulli, da Renault.
Quando o primeiro míssil riscou o céu de Bagdá, eram 10h35 em Sepang. A maioria dos pilotos estava no circuito, e a dupla ferrarista, Schumacher e Rubens Barrichello, concedia uma entrevista coletiva em um hotel da região.
Apesar das declarações dos pilotos e do clima de preocupação no paddock, a F-1, como instituição, reagiu com frieza à guerra. ''A F-1 não tem nada a ver com o conflito'', disse Max Mosley, presidente da FIA, em comunicado.
Barrichello apóia a filosofia de que o ''show deve continuar''. ''Temos que tocar nossas vidas. Se pudermos distrair um pouco as pessoas neste final de semana, trazer diversão para os torcedores, teremos feito a nossa parte.''
De uma forma ou de outra, a guerra foi um balde de água fria no entusiasmo da FIA. Animada com os resultados das novas regras, a entidade comemorava o aumento do interesse pela F-1.
Por ser um país muçulmano, 27º maior produtor de petróleo e quinta maior reserva de gás natural, a Malásia acompanha com atenção a guerra. Não será desta vez que o circuito malaio vai lotar.


