Paris - A Federação Internacional de Automobilismo (FIA) anunciou ontem o que já era esperado nos últimos meses: por conta das denúncias de espionagem e sabotagem na temporada de 2007 da Fórmula 1, a McLaren foi oficialmente punida pelo Conselho Mundial de Automobilismo.
A escuderia de Ron Dennis teve cassados todos os 166 pontos que havia conquistado no Mundial de construtores deste ano, ficando fora da briga pelo título de equipes. O time não soma mais pontos neste ano, e ainda recebeu uma multa de US$ 100 milhões da entidade.
Em compensação, a punição da equipe não foi estendida à temporada de 2008, como era especulado. Além disso, por terem colaborado com as investigações, Fernando Alonso e Lewis Hamilton foram inocentados no caso, e mantiveram suas respectivas pontuações no Mundial de pilotos. ''Para os pilotos foi feita uma exceção porque trouxeram provas'', disse o presidente da FIA, Max Mosley.
Os principais envolvidos do caso, Nigel Stepney (chefe dos mecânicos da Ferrari) e Mike Coughlan (diretor-técnico da McLaren) já haviam sido oficialmente banidos do automobilismo no julgamento anterior do caso, em julho.
Por outro lado, o Conselho não conseguiu comprovar a utilização de componentes da equipe italiana nos carros de Alonso e Hamilton. Apenas o que a FIA comprovou foi a recepção de dados da Ferrari por parte da McLaren.
Mesmo assim, os problemas da McLaren ainda não terminaram. Em dezembro, a FIA irá se reunir com os dirigentes técnicos da escuderia inglesa para analisar o projeto do carro do ano que vem. Caso haja novos indícios de repasse de informações, o time poderá ser novamente sancionado.
Multa - Os dirigentes da McLaren demonstraram tranquilidade ao deixarem o tribunal. A multa de US$ 100 milhões é superior ao orçamento anual de equipes como a Spyker, que gastou US$ 70 milhões para colocar dois carros na pista em sua temporada de estréia.
''Nós faturamos de US$ 450 a US$ 500 milhões por ano e somos uma companhia com um crescimento fenomenal. Eu até brinquei com Norbert (Haug, diretor esportivo da Mercedes), perguntando se iríamos dividir a conta'', revelou Ron Dennis, segundo o site Autosport.com.
O chefe de equipe da McLaren ainda negou que possa deixar o comando operacional do time, dizendo-se ''muito comprometido com a companhia'' e ''apaixonado por automobilismo''.
Sem intenção de se aposentar, Dennis negou também que a pressão da FIA nas investigações tenha alterado qualquer detalhe no relacionamento com seus pilotos. ''Temos contratos longos com os dois e não discutimos mudanças com eles. Eles são os dois melhores pilotos do mundo e nossa vontade de vencer corridas segue intocada. É para isso que estamos aqui'', disse Dennis.
Já para Martin Whitmarsh, diretor-executivo da McLaren, a pena aplicada pelo Conselho Mundial de Automobilismo foi excessivamente dura, uma vez que a FIA não conseguiu provar que a equipe se utilizou das informações sobre a Ferrari para desenvolver seu carro. ''Não acreditamos que deveríamos ter sido punidos desta maneira'', disse Whitmarsh ao site Autosport.com.

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