FIA não pune e abre precedente
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segunda-feira, 27 de outubro de 1997
Agência Estado 
A pergunta que ainda está no ar é: alguém tem o direito de pretender vencer a qualquer custo? Pois é o que a Federação Internacional de Automobilismo (FIA) parece defender. Pior: num esporte, em que os prêmios em dinheiro são capazes da mais elevada estimulação, expondo a vida de seus praticantes a riscos bastante grandes. A isenção da responsabilidade de Michael Schumacher no acidente com o campeão do mundo Jacques Villeneuve, assumida pelos comissários do GP da Europa, domingo na Espanha, lança na Fórmula 1 o perigoso precedente da livre ação na pista.
Enquanto o mundo via Schumacher pretender colocar Villeneuve para fora da pista para conquistar seu terceiro título mundial, já que tinha um ponto a mais na classificação, a direção de prova concluiu que tudo o que ocorreu na curva Dry Sack, na 48ª volta da corrida, não passou de um acidente normal de corrida. Se é esse discernimento que rege os julgamentos da FIA, que confiança podem ter os pilotos na organização que tem como principal função estabelecer normas que preservem suas vidas?
O que mais se comentava em Jerez, era que Michael Schumacher não necessitava dessas ações para vencer e provar que é o melhor do mundo. Sua aceitação como um dos pilotos mais completos da história é quase um consenso. A tentativa explícita de beneficiar-se com a saída de Villeneuve para fora do asfalto, sob os olhos de milhões de pessoas no mundo todo, destruiu grande parte do trabalho construído com notável capacidade durante quase sete temporadas na F-1.
Caso SennaEsta semana vai ser decisiva no julgamento que investiga as causas do acidente que resultou na morte do piloto Ayrton Senna, durante o GP de San Marino, na Itália, em 98. O mundo do automobilismo vai finalmente ficar sabendo se a Williams, campeã da temporada de F-1, foi responsável pela colisão do piloto brasileiro na curva Tamburello.
Amanhã, David Coulthard, ex-companheiro de Senna na Williams, será o primeiro a depor. Na sequência, serão ouvidos os três personagens principais do caso: Frank Williams, proprietário da escuderia; Patrick Head, diretor técnico da Williams; e Adrian Newey, projetista do time.


