FIA não chegou a homologar mudanças
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 18 de março de 1997
Beatrice Bretonniere 
France Presse
A Federação Internacional de Automobilismo (FIA) não havia homologado as mudanças feitas no carro em que Ayrton Senna morreu em 94, declarou ontem, no tribunal de Ímola, o britânico Charles Whiting, representante da Federação. Whiting acrescentou, na sétima audiência do processo contra Frank Williams e os dirigentes de sua equipe de Fórmula 1, que estas modificações teriam sido homologadas se Willimas tivesse pedido à FIA.
Whiting era o responsável técnico pelos carros que corriam no circuito de Ímola, no GP de San Marino, em 1º de maio de 94, e agora é encarregado pela segurança das pistas de F-1 pela FIA.
Durante o longo interrogatório técnico, foram mostradas a Whiting fotografias do carro de Senna, nas quais se via que a carroceria havia sido retocada para alargá-la ligeiramente.
O responsável da FIA disse que o chassis do Williams-Renault havia sido controlado e homologado em fevereiro de 94, mas não depois destas modificações sobre as quais Whiting não parecia ter conhecimento antes de comparecer ontem ao tribunal.
Não lembro de ter visto isto no carro de Senna, disse ao promotor de Bolonha, Maurizio Passarini, afirmando, no entanto, que estas modificações teriam sido, de qualquer modo, homologadas pela FIA.
A justiça italiana acusa o dono da Williams, seu diretor técnico Patrick Head e seu engenheiro Adrian Newey, que fez a modificação da barra de direção do carro antes da corrida, de homicídio involuntário pelo acidente que matou o brasileiro.
Charles Whiting foi interrogado sobre outro ponto controvertido, as caixas de controle eletrônico do carro Williams.
Whiting disse que ele assumiu a responsabilidade de autorizar aos técnicos da Williams a retirar a caixa que registrava informações relativas ao chassis e à caixa de câmbios pouco depois do acidente, quando o destino do piloto, que morreu poucas horas depois, não era conhecido.
Era obrigatório e muito importante fazê-lo para determinar onde estava a falha, explicou. Levamos a caixa preta para o caminhão da Williams e tentamos conectá-la ao computador, mas foi impossível, uma vez que parte da caixa estava arrebentada.
Este ponto foi rebatido pelo especialista Marco Spiga, que afirmou que a caixa estava em perfeitas condições e intacta. Passarini pediu uma nova investigação sobre esta caixa preta e convocou, para o próximo dia 24, todas as partes para comparecer à faculdade de engenharia de Bolonha, a fim de verificar se a leitura da caixa era possível.
A próxima audiência, a outra começou em 20 de fevereiro passado, será no dia 2 de abril.


