FIA julga sexta-feira recurso da Ferrari
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domingo, 17 de outubro de 1999
Por Livio Oricchio 
Kuala Lumpur, Malásia, 18 (AE) - Eddie Irvine e a Ferrari saberão na sexta-feira se podem ainda sonhar com o título de campeões do mundo. O recurso que impetraram domingo, contra a desclassificação no GP da Malásia, será julgado. A Federação Internacional de Automobilismo (FIA) anunciou, hoje, que três juízes do seu quadro, às 9h30, em Paris, analisarão a argumentação dos italianos. "Confio na capacidade de defesa da minha equipe", afirmou Irvine, em Macau, para onde viajou.
Era já esperado que a entidade julgasse tudo o que se passou na confusa mas emocionante prova de Sepang antes da última etapa do campeonato, dia 31 em Suzuka, no Japão. Eddie Irvine chegou em primeiro e Michael Schumacher em segundo, mas acabaram desclassificados em razão de os defletores do modelo F399 da Ferrari não atender às especificações do regulamento técnico. A base desses componentes do conjunto aerodinâmico do carro tinha, na sua seção intermediária, cerca de 10 milímetros a menos de espessura e 60 milímetros a menos de comprimento.
O diretor esportivo da Ferrari, Jean Todt, comentou hoje que a linha que adotará para defender seu time é simples: "Falamos de milímetros, é uma diferença muito pequena, mas o mais importante é que não foi uma ação voluntária e não representou nenhum rendimento extra no desempenho do carro." Todt considerou "desproporcional" a punição a sua escuderia. "Vamos apresentar um dossiê claro e preciso", disse.
A FIA mantém um quadro de 15 juízes no seu Tribunal de Apelação, a mais elevada instância jurídica dos esportes a motor. Suas decisões são definitivas. Os três escolhidos pela entidade, ainda não divulgados, têm, como todos os demais, formação acadêmica em direito. Eles não podem ser da nacionalidade das partes envolvidas na questão, como irlandesa e italiana, no caso da Ferrari, e finlandesa, inglesa e alemã, com respeito à Mika Hakkinen, a McLaren e a Mercedes, os outros interessados no resultado do julgamento. Na hipótese de a Ferrari perder, Hakkinen e a McLaren serão oficialmente reconhecidos como bicampeões do mundo.
A última vez que Eddie Irvine se viu diante do Tribunal de Apelação da FIA, logo depois do GP do Brasil de 1994, a experiência não lhe foi muito boa. O norte-irlandês acabou sendo o responsável, segundo os comissários desportivos, por um grave acidente durante a prova, apesar de ninguém se ferir. Por esse motivo, suspenderam Irvine de disputar a etapa seguinte da temporada, o GP do Pacífico, em Aida, no Japão. Como a sua equipe, a Jordan, recorreu, Irvine acabou sendo julgado de novo.
E aí, surpresa: o Tribunal de Apelação não só concordou com a suspensão como a ampliou. Irvine ficou de fora dos GPs de San Marino e Mônaco também.
No caso da Ferrari, agora, não há como estender a pena. Ou Eddie Irvine e Michael Scumacher são readmitidos como vencedores do GP da Malásia ou permanecerão desclassificados, como no momento. Em geral, o Tribunal costuma seguir a decisão dos comissários desportivos dos eventos.


