Agência Estado
O inspetor de segurança da Federação Internacional de Automobilismo (FIA), o inglês Charlie Whitting, realiza hoje a inspeção final no autódromo de Interlagos para a corrida de domingo, o 26 GP do Brasil de Fórmula 1. Ele já sabe porém que os pilotos têm uma reclamação a fazer: a qualidade do asfalto. ‘‘Concordo, só que quem corre em Mônaco, por exemplo, não pode dizer que nosso circuito é ruim’’, defende-se o administrador de Interlagos, o ex-piloto Edgar de Melo Filho. Praticamente todos os equipamentos das equipes já estavam nos boxes ontem e várias delas montavam seus carros, como as quatro favoritas para ficar com a vitória: Williams-Renault, Benetton-Renault, Mclaren-Mercedes e Ferrari.
A maioria dos pilotos preferiu ontem dar sequência a sua preparação física a visitar o autódromo. O italiano Giancarlo Fisichella contudo preferiu descansar, em razão do grave acidente sofrido em Silverstone, semana passada. Sua Jordan-Peugeot bateu de traseira na curva Stowe, a cerca de 220 km/h. ‘‘Estou sob intensa medicação local, com certeza participarei da corrida, só não sei ainda se manterei meu ritmo o tempo todo’’.
Há uma grande expectativa com relação ao que cada equipe poderá produzir em Interlagos. Todas as escuderias treinaram nos testes de inverno em circuitos onde o asfalto apresentava bem menos irregularidades que em São Paulo. ‘‘O piso ondulado obriga a usar molas e amortecedores mais moles, com isso o carro inclina mais nas curvas, assim como afunda a frente nas freadas e a levanta nas acelerações’’, explicou o piloto Pedro Paulo Diniz, da Arrows-Yamaha. ‘‘Essa variação de altura do carro em relação ao solo se traduz por perda de pressão aerodinâmica, ou menor velocidade em curva, por causa das diferentes densidades de ar que passam sob ele’’, complementa.
É por isso que se acreditava ontem em Interlagos que as irregularidades de seu asfalto podem significar maior eficiência dos carros da equipe Williams, os de melhor aerodinâmica na F-1.

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