FIA cede direitos da F-1 até 2101
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terça-feira, 24 de abril de 2001
Agência Estado De São Paulo 
A Federação Internacional de Automobilismo (FIA) cedeu oficialmente, ontem, os direitos de exploração comercial do Campeonato Mundial de Fórmula 1 a Bernie Ecclestone e seus sócios. O contrato entre a entidade e a Slec, a holding que comprou os direitos, é de 100 anos. Esses direitos custaram à Slec US$ 309 milhões, já depositados na conta da FIA, em Genebra.
Com o negócio, Max Mosley, presidente da FIA, e Bernie Ecclestone se livraram da perseguição da União Européia (UE), que cobrava da FIA a distinção de funções: a entidade deveria gerir o esporte, enquanto uma empresa concessionária administraria a parte comercial dos eventos da FIA. Foi exatamente o que aconteceu. Ecclestone é sócio minoritário na Slec, com 25% da holding. Os outros 75% pertencem quase que integralmente ao magnata alemão do ramo de comunicações, Leo Kirch, embora Thomas Haffa, do grupo EM.TV também tenha pequena participação nesses 75% de Kirch.
O negócio só pôde ser fechado depois de Leo Kirch ceder na pretensão de transmitir a Fórmula 1 através de TVs a cabo, sua principal fonte de renda. O acordo entre a FIA e a Slec garante, por escrito, que as transmissões serão sempre por TVs abertas, informa o comunicado da FIA. Uma reunião extraordinária da FIA, ontem em Paris, que contou com a presença de Mosley, Ecclestone, Haffa e Dieter Hahn, vice-presidente do grupo Kirch, definiu os termos finais do negócio. O contrato entre FIA e Slec vigorará, porém, apenas a partir de 2010, quando termina o atual compromisso existente entre a própria Slec e a FIA.
Para completar a nova face administrativa da Fórmula 1 só falta as montadoras, hoje proprietárias das principais equipes do Mundial, se tornarem sócias na Slec também. Este é o próximo e adequado passo, afirmou Norbert Haug, diretor da Mercedes, sócia da McLaren. Kirch já ofereceu 25% dos seus 75% à elas e o acordo parece, agora, iminente.
A união européia dos fabricantes de veículos de série ameaçou criar um campeonato paralelo se Kirch não desistisse da idéia de transmitir as corridas pelas redes de TV a cabo.
A Fórmula volta às pistas neste final de semana, com o GP Espanha, em Barcelona, quando estarão de volta os componentes eletrônicos. A Williams não deve utilizar nesta prova o controle de tração nos seus carros, por não tê-los completamente desenvolvidos ainda, explicou Gerhard Berger, diretor da BMW, fornecedora de motor da Williams. Os treinos livres acontecem na sexta-feira.


