FHC recebe Seleção. CBF teme agressões e cancela festa no Rio
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segunda-feira, 13 de julho de 1998
Das agências 
Os jogadores da Seleção Brasileira desembarcam hoje, às 6 horas, em Brasília, e vão ser recebidos pelo presidente da República, Fernando Henrique Cardoso. De acordo com a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), a delegação deverá desfilar no carro do Corpo de Bombeiros. Assessores da entidade informaram que, após o desfile, os jogadores devem fazer conexões para os seus estados de origem ou a comitiva pode viajar completa para o Rio de Janeiro. Até o final da tarde de ontem, o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, não havia comunicado o roteiro completo da delegação após o desembarque em Brasília.
Os jogadores cariocas - Ronaldinho, Júnior Baiano, Aldair, Leonardo, Bebeto, Zé Roberto, Carlos Germano, Edmundo, Gonçalves -, além dos integrantes da comissão técnica Zagallo, Zico, o médico Lídio Toledo, entre outros, vão desembarcar, entre 11 horas e meio-dia, no Aeroporto Internacional do Rio, na Ilha do Governador, na zona norte. A Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) informou que o avião vai desembarcar no segundo terminal de passageiros.
A diretoria da CBF, temendo agressões aos jogadores, decidiu ontem à tarde cancelar a festa popular organizada para a Seleção Brasileira no Rio. A informação foi dada pelo assessor de imprensa da entidade, João Pedro Werneck. Decidimos preservar os jogadores, que poderiam receber até mesmo um tiro, disse Werneck.
Apesar do cancelamento da festa, 500 policiais militares estarão envolvidos na segurança dos jogadores na chegada ao Rio. Na sexta-feira, dois dias antes da decisão da Copa do Mundo, a diretoria da CBF, confiante na conquista do título, havia anunciado todos os detalhes da festa do penta.
O esquema de segurança mobilizaria 5.000 policiais militares. Os jogadores desfilariam em dois caminhões do Corpo de Bombeiros e percorreriam as principais ruas do centro e da zona sul. Após a chegada do vôo ao Rio, os jogadores concederão uma entrevista coletiva dentro do Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro, na zona norte da cidade, e serão liberados.
O atacante Denílson, que se apresentará no dia 30 ao Betis, de Sevilha, espera que a Seleção seja recebida com carinho pelos torcedores brasileiros. Mas ele não se mostra muito confiante em que isso aconteça. No Brasil, só o título é valorizado, acho que vamos ser cobrados por termos perdido a final para a França.
Ainda com o semblante triste, ele passou parte da segunda-feira com a família, antes de voltar pela última vez ao Chateau de Grande Romaine, em Lésigny, para terminar de arrumar a bagagem e ir com a delegação brasileira ao Aeroporto Charles de Gaulle. Apesar de tudo o que passamos aqui, conseguimos decidir o título, mas as pessoas não imaginam o quanto lutamos, isso dificilmente será reconhecido.
Em nenhum momento da rápida entrevista, em frente ao Novotel da cidade de Colegiennes, vizinha a Ozoir-la-FerriSre, onde passou a noite com a família, ele foi o Denílson sorridente que o torcedor brasileiro se acostumou a ver. Ele fez um rápido balanço de como viu sua passagem pela Copa do Mundo da França. Atuei mal num jogo só, aquele contra a Dinamarca, em Nantes (vitória por 3 a 2, pelas quartas-de-final), analisou. Mas, nos outros jogos, acho que correspondi ao que o Zagallo queria.
A partir de hoje, ele passa a ser jogador exclusivo do Betis. O atacante já entrou em acordo com o clube que comprou seu passe do São Paulo por US$ 26 milhões, há um ano, para apresentar-se no dia 30. Como o Betis estará em pré-temporada, o craque não quer chegar ao clube em má forma em relação aos novos companheiros. Por isso não aproveitará os próximos dias para umas curtas férias. Eu vou ficar treinando no São Paulo para não perder a forma, devo ficar treinando até lá pelo dia 25, anunciou o jogador.
Na manhã chuvosa do último dia na França, alguns vizinhos do Château de Grande Romaine passaram buzinando para comemorar a vitória francesa. Os jogadores que saíram de madrugada para encontrar as mulheres e familiares retornaram até as 14 horas para a concentração. Os primeiros a voltar foram o supervisor da Seleção, Américo Faria, o lateral Zé Carlos e o meia Leonardo. O técnico Zagallo permaneceu no Chateau Grand Romaine, mas não quis conversa com os jornalistas. O último a chegar, às 18 horas, foi o atacante Edmundo. Antes de deixar o hotel, os jogadores, com o paletó, fizeram uma foto com funcionários do local e receberam aplausos.
O último dia da Seleção, em Lésigny, foi melancólico. Contrastando com o assédio popular com a chegada da equipe, em 22 de maio, menos de 20 torcedores foram se despedir dos jogadores. O casal Xavier e Brigitte Layani, trajando camiseta com estampa do piloto Ayrton Senna, foi ao local tentar um autógrafo para o filho Alexander, 3 anos. Apesar de franceses, o casal diz ter torcido para o Brasil. O time da França realmente não é dos melhores, afirmou Xavier.


