Há uma semana do embarque da primeira delegação para a Olimpíada de Sydney, na Austrália, atletas brasileiros participaram de solenidade de despedida no Palácio da Alvorada, ontem, e receberam do presidente Fernando Henrique Cardoso estímulo para as competições. ‘‘O Brasil espera muito de vocês’’, disse FHC, explicando em seguida se tratar de uma ‘‘espera com confiança e não com cobrança infinita, que só atrapalha’’.
Segundo o presidente, os atletas têm consciência de que é preciso dar o máximo nas competições e isso já satisfaz os anseios do povo brasileiro. ‘‘Não se deve gostar das pessoas só quando elas desempenham da maneira que apraz aos que ficamos aqui aplaudindo ou – não é o meu caso – vaiando’’, comentou. Estavam presentes na solenidade, entre outros, o judoca Mário Sabino, a ginasta Daniele Hipólito e o nadador Edvaldo Valério, além de vários ministros.
Fernando Henrique Cardoso afirmou que os atletas devem voltar ao Brasil trazendo o número de medalhas ‘‘que puderem’’. Para os atletas, a visão do presidente é importante. ‘‘Vamos com toda garra, mas nem sempre dá para ganhar’’, disse a jogadora de vôlei de praia Sandra Pires, que conquistou a medalha de ouro na Olimpíada de Atlanta, em 96.
Doping – Durante a solenidade, foram assinados dois convênios entre a Secretaria Nacional Antidrogas, o Ministério do Esporte e o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) para a prevenção ao uso de drogas do esporte e drogas sociais. Os programas serão desenvolvidos entre atletas olímpicos e esportistas durante e fora das competições.
O acordo prevê a distribuição de cartilhas de orientação sobre os prejuízos do doping e pretende estimular os atletas a veicularem mensagens de prevenção ao uso das drogas de esporte e sociais. Fernando Henrique Cardoso afirmou que os atletas olímpicos têm ‘‘autoridade moral’’ para ajudar o governo e a sociedade na luta contra as drogas.
Descontraídos, os atletas presentes na despedida posaram para foto ao lado do presidente. O nadador Luiz Lima, que estava atrás de FHC, chegou a pular para aparecer nas fotos e fazer o sinal da vitória. Fernando Henrique entrou no clima de descontração: quebrou o protocolo e experimentou o boné que faz parte do uniforme que será usado pelos atletas em Sydney.
Os atletas brasileiros terão quase um mês para se aclimatar ao fuso horário australiano (uma diferença de 14 horas) e ao clima frio do local. A equipe de natação parte no próximo dia 22 para Canberra, capital da Austrália, onde fica até 12 de setembro. Para esta Olimpíada, o Brasil enviará 204 atletas para concorrer em 24 modalidades.
‘‘Estão indo um mês antes para se aclimatar em duas cidades’’, disse o presidente do COB, Arthur Nuzman, afirmando que a verba liberada para os Jogos de Sydney foi de R$ 10,5 milhões. ‘‘A vila olímpica é uma festa grande, muita gente bonita, e a gente fica dispersa, por isso é importante essa aclimatação’’, disse a atleta do vôlei Sandra.
Atletismo – A equipe brasileira que disputará a prova de revezamento 4x100 m nos Jogos Olímpicos de Sidney, convocada pela Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt), chega hoje a Manaus para um período de treinamento. Cinco dos seis convocados, mais o técnico Jayme Netto Júnior e o fisioterapeuta Carlos Marcelo Pastre, desembarcam no vôo 200 da Varig. Apenas o atleta Vicente Lenilson de Lima estará chegando através do vôo 204, da mesma companhia aérea.
Os treinamentos acontecerão no Centro de Treinamento de Alto Nível (CETAN), na Vila Olímpica. Os atletas convocados são André Domingos da Silva, Claudinei Quirino da Silva, Edson Luciano Ribeiro, Vicente Lenilson de Lima, Cláudio Roberto Souza e Raphael Raymundo de Oliveira.

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