Rio, 16 (AE) - A Fundação Getúlio Vargas (FGV) vai realizar um amplo estudo sobre o futebol brasileiro no próximo ano, com o objetivo de estabelecer um plano de modernização para o esporte. Esse plano deve ser implementado a partir do ano 2001 e visa a modificação da forma de administração do futebol nos três anos seguintes. Hoje, foi assinado um convênio entre a FGV e a Confederação Brasileira de Futebol (CBF).
"Com esse estudo da FGV, estamos seguindo o caminho da Fifa, que contratou uma empresa para fazer o mesmo trabalho em julho de 1998", afirmou o presidente da CBF, Ricardo Teixeira. "Será um processo de longo prazo, que contará com a participação dos clubes e federações."
Segundo Teixeira, o fato da CBF estar procurando a FGV não significa que o futebol brasileiro seja desorganizado. Para ele, o grande número de jogos por ano prova que a CBF consegue conciliar diversas competições simultâneas. "O que está acontecendo agora é uma evolução natural", disse.
Teixeira descartou modificações no calendário do próximo ano. Segundo ele, só deverão haver mudanças quando o plano estiver pronto - no final do ano 2000. O coordenar técnico do projeto da FGV, César Cunha, disse que o plano poderá ser implementado assim que houver "vontade política". "Temos um prazo de quatro anos para cumprir esses plano, mas pode ser necessário mais tempo", afirmou.
Entre as mudanças previstas, estão a profissionalização de dirigentes esportivos, inclusive os integrantes da CBF. Isso será feito com um curso de pós-graduação em administração esportiva, que já existe há dois anos na entidade.
Teixeira disse que alguns dirigentes vão continuar a ser amadores, mas a estrutura do futebol vai tornar-se profissional. Para o coordenador executivo do processo, José Antônio Alves, isso causa alguns conflitos entre dirigentes profissionais e amadores, o que, segundo ele, é normal no processo. "Um exemplo são as brigas entre os dirigentes do Flamengo no ano passado."
Alves informou que o Rubro-Negro tem procurado a modernização, tanto que cinco dirigentes do clube estão fazendo o curso da FGV. "Os nossos alunos nos apresentam alguns problemas que enfrentam nos clubes", disse. "Mas, os dirigentes amadores são importantes para dar sustenção política à administração."
Além de traçar um plano pra desenvolvimento do futebol, a FGV vai indicar caminhos para a modernização da própria CBF. Para isso, a CBF abriu os seus arquivos para os técnicos da FGV. Teixeira informou que há a possibilidade de mudança na sede da entidade, considerada por ele, "obsoleta".

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