Onaireves Nilo Rolim de Moura, 53 anos, reassumiu ontem a presidência da Federação Paranaense de Futebol (FPF) ironizando o Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS) e a Polícia Federal. Moura ficou preso durante 29 dias, acusado de apropriação indébita de recursos do INSS. ‘‘Fico feliz que o meu sacríficio tenha servido para aumentar em R$ 500 milhões a arrecadação do INSS’’, disse ele em entrevista coletiva. ‘‘Mas espero que este dinheiro seja bem aplicado, que não seja desviado como fez o Lalau (juiz Nicolau dos Santos Neto, ex-presidente do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo), que está foragido e é quem teria que estar preso mas não está porque quem tem que prendê-lo não o faz porque não quer.’’
Moura foi recebido em clima de festa – com direito a faixas de apoio – por diretores e funcionários da FPF e presidentes de Ligas de Futebol do Estado. ‘‘Meus amigos, é uma satisfação rever a todos.’’ Esta foi a primeira frase do discurso de pouco mais de 30 minutos. Ele agradeceu aos funcionários e diretores pelo apoio e disse que os dias que passou preso foram os piores de sua vida. Moura afirmou ainda ter sido vítima de difamação por jornalistas e ameaçou processar muita gente. ‘‘Contratei uma empresa que fará um levantamento de tudo que foi veiculado sobre minha pessoa enquanto estive preso.’’
Sobre a dívida com o INSS, Moura contou que a Federação está rigorosamente em dia com todas as obrigações com a Previdência. O dirigente afirmou que é impossível cumprir ‘‘ao pé da letra’’ o que a legislação determina. ‘‘A Federação tem que ser responsável por arrecadar o imposto de todas as partidas que acontecem no Estado e depois repassar ao INSS, mas todo este processo tem um ônus que só a Federação paga’’, disse. ‘‘A grande maioria dos clubes passa por dificuldades financeiras e também não consegue repassar à entidade o imposto devido; porém, a Federação tem que dar conta de tudo isso’’, defendeu-se.
Moura disse que rezava muito enquanto estava preso. ‘‘Só quem conhece o sistema penitenciário e as cadeias sabe a condição subumana em que os presos vivem’’, disse, referindo-se à cela na Polícia Federal, onde passou 11 dias. ‘‘Na Colônia Penal Agrícola a situação é um pouco diferente e o tratamento é melhor’’, contou, dizendo que estava com mãos cheias de calo por causa do trabalho na penitenciária.

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