Festa une rivais e tem cena inimaginável
PUBLICAÇÃO
domingo, 30 de julho de 2000
Agência Folha De Hockenheim, Alemanha 
Enquanto Rubens Barrichello estacionava sua Ferrari debaixo do pódio de Hockenheim, uma correria acontecia no pit lane. Eram técnicos e mecânicos de equipes como Sauber, Arrows, Jordan e Jaguar, que se juntavam ao pessoal da Ferrari e da McLaren. Todos queriam aplaudir o brasileiro.
Há sete anos e meio na F-1, Barrichello se transformou em uma espécie de bibelô da categoria. Nunca arrumou confusão, nunca brigou com nenhum piloto.
Por falar italiano, é adorado pelos jornalistas daquele país. Por ser brincalhão, deixou amigos na Jordan e na Jaguar (ex-Stewart), equipes pelas quais passou. Por sua persistência, é tratado com respeito por todo o paddock.
Prova disso, foi reverenciado no pódio por Mika Hakkinen e David Coulthard, a dupla da arqui-rival McLaren. Após a comemoração com champanhe, foi erguido pelos dois adversários, cena rara, improvável, inimaginável até.
Seu desempenho sob a chuva de Hockenheim foi o tom das conversas no paddock. A F-1, ontem, festejou o triunfo de seu bibelô. Conheço o Rubens há dez anos. Fico muito feliz por ele ter vencido, declarou Coulthard, rival do brasileiro na F-3 e na F-3000, que sequer lembrou o fato de ter perdido a chance de chegar à liderança do Mundial. Foi uma vitória fantástica. Na última volta, fui até o pit lane para ver tudo de perto. A melhor coisa do dia foi ter visto a emoção do Rubens, disse o inglês Johnny Herbert, seu companheiro em 99.
O irlandês Eddie Jordan, primeiro chefe de Barrichello na F-1, parabenizou o brasileiro. Gostaria de dar os parabéns ao Rubens. Ele pilotou para nós por quatro anos e foi bom vê-lo no topo do pódio, completou.
Se até os adversários elogiaram Barrichello, a Ferrari deixou o acidente de Michael Schumacher em segundo plano. O brasileiro foi o herói do dia para a equipe. A corrida foi quase irreal. Estou extremamente feliz com a primeira vitória do Rubens, afirmou Jean Todt, o diretor-esportivo da Ferrari. Estou especialmente feliz pela maneira como ele venceu.
O bicampeão Schumacher, que assistiu à bandeirada na mureta do pit lane, foi o primeiro a cumprimentar Barrichello. Sua vitória me emocionou muito. Ninguém podia esperar uma evolução tão grande na corrida.


