Enquanto Rubens Barrichello estacionava sua Ferrari debaixo do pódio de Hockenheim, uma correria acontecia no pit lane. Eram técnicos e mecânicos de equipes como Sauber, Arrows, Jordan e Jaguar, que se juntavam ao pessoal da Ferrari e da McLaren. Todos queriam aplaudir o brasileiro.
Há sete anos e meio na F-1, Barrichello se transformou em uma espécie de bibelô da categoria. Nunca arrumou confusão, nunca brigou com nenhum piloto.
Por falar italiano, é adorado pelos jornalistas daquele país. Por ser brincalhão, deixou amigos na Jordan e na Jaguar (ex-Stewart), equipes pelas quais passou. Por sua persistência, é tratado com respeito por todo o paddock.
Prova disso, foi reverenciado no pódio por Mika Hakkinen e David Coulthard, a dupla da arqui-rival McLaren. Após a comemoração com champanhe, foi erguido pelos dois adversários, cena rara, improvável, inimaginável até.
Seu desempenho sob a chuva de Hockenheim foi o tom das conversas no paddock. A F-1, ontem, festejou o triunfo de seu bibelô. ‘‘Conheço o Rubens há dez anos. Fico muito feliz por ele ter vencido’’, declarou Coulthard, rival do brasileiro na F-3 e na F-3000, que sequer lembrou o fato de ter perdido a chance de chegar à liderança do Mundial. ‘‘Foi uma vitória fantástica. Na última volta, fui até o pit lane para ver tudo de perto. A melhor coisa do dia foi ter visto a emoção do Rubens’’, disse o inglês Johnny Herbert, seu companheiro em 99.
O irlandês Eddie Jordan, primeiro chefe de Barrichello na F-1, parabenizou o brasileiro. ‘‘Gostaria de dar os parabéns ao Rubens. Ele pilotou para nós por quatro anos e foi bom vê-lo no topo do pódio’’, completou.
Se até os adversários elogiaram Barrichello, a Ferrari deixou o acidente de Michael Schumacher em segundo plano. O brasileiro foi o herói do dia para a equipe. ‘‘A corrida foi quase irreal. Estou extremamente feliz com a primeira vitória do Rubens’’, afirmou Jean Todt, o diretor-esportivo da Ferrari. ‘‘Estou especialmente feliz pela maneira como ele venceu.’’
O bicampeão Schumacher, que assistiu à bandeirada na mureta do pit lane, foi o primeiro a cumprimentar Barrichello. ‘‘Sua vitória me emocionou muito. Ninguém podia esperar uma evolução tão grande na corrida.’’

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