Festa será a maior deste final de século
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quarta-feira, 13 de setembro de 2000
Agência Estado De Sydney, Austrália 
Está tudo pronto para a abertura da maior festa desse fim de século. Quem estiver disposto a atravessar a madrugada diante da TV não vai se arrepender. Serão mais de dez mil figurantes no campo e cem mil nas arquibancadas do Estádio Olímpico de Sydney, a partir das 4 horas (de Brasília), dispostos a mostrar para o mundo as belezas da Austrália. Para abrir a noite, 120 cavaleiros vestidos com a capa (driza-bone) e o chapéu (akubra) típicos do país invadirão a galope o gramado do estádio. Como em uma famosa propaganda de cigarros, o espetáculo poderá ser melhor apreciado por uma câmera, em um avião, que estará sobrevoando a 20 mil pés o estádio.
A seguir, esculturas gigantes e coloridas, produzidas com o esmero digno do carnaval carioca, começarão a mostrar a fauna e a flora australiana. As primeiras, com o enredo Sonhando no mar profundo, trarão 250 crianças representando a vida marinha. Uma das principais atrações serão os 11 cabos instalados acima do estádio, que suspenderão figurantes e esculturas de forma tão suave e natural como nos melhores efeitos especiais de Hollywood.
O próximo tema, Despertando, trará o cantor aborígene Djakapurra Munyarryun, que interpreterá um número alusivo ao nascimento. A dança, a fumaça e o som típico do didgeridoo (instrumento feito a partir do bambu) completarão o clima sobrenatural do ritual, que terá a participação de mais mil aborígenes de todo o país. A seguir vem o Fogo, com mais de 220 homens soltando enormes chamas pela boca.
Na parte mais colorida da noite, Nature, 800 figurantes entrarão no estádio para celebrar a fauna e a flora mais diversificada do planeta. Pelo menos 80% das espécies encontradas na Austrália não tem similar em outro país. Para representar essa opulência, jovens com o rosto pintado e o macacão das mais diversas cores farão evoluções com formas gigantes, também coloridas, de flores e animais. A idéia é estilizar a evolução da natureza e o fundo musical terá, entre outros, a voz da cantora Olivia Newton-John.
Será a vez, então, da Sinfonia de Papel, um enredo sobre a história da colonização australiana. As alegorias vão desde a chegada do capitão Cook e sua tripulação (1788), que serão apresentados em uma bicicleta antiga, com uma roda gigantesca. Uma gaiola na traseira da engenhoca, com um coelho dentro, que era uma característica desses colonizadores, representará os primeiros imigrantes. Ginastas, acrobatas e guitarristas completarão o quadro sobre a evolução das máquinas.
Em outra festa de cores, Chegadas, será contada a história moderna da Austrália. Entrarão em cena quase três mil jovens fantasiados, representando os cinco continentes e a origem da maior parte dos imigrantes que chegaram neste século. Depois que os estrangeiros se dispersarem, milhares de crianças surgirão para representar a esperança de um futuro com mais tolerância e entendimento.
Já perto do final, mil dançarinos com botas típicas farão uma homenagem aos trabalhadores que foram responsáveis pelas primeiras indústrias desse século e por obras como a Harbour Bridge, cartão-postal de Sydney. Também será uma celebração aos homens e mulheres australianos. Para encerrar a festa, dois mil jovens da Sydney 2000 Olympic Band encherão o estádio com o som de Also Sprach Zarathustra (tema do filme 2001 Uma Odisséia no Espaço) e Charriots of Fire (Carruagens de Fogo) entre outros temas conhecidos.
Uma das músicas mais conhecidas do país, Waltzing Matilda (dançando com Matilda) também será executada antes da Olympic Fanfare and Theme, melodia composta pelo famoso maestro John Williams. Só aí entrarão os atletas em cena, começando pela Grécia e terminando com o anfitrião, Austrália. Depois será a vez da tocha olímpica e dos discursos de abertura. Mas se o telespectador não resistir até o final das quatro horas de transmissão, sem problemas. A primeira parte já terá valido a penas.
Festa Dois dias antes da cerimônia de abertura, a última Olimpíada do século já começou para a população de Sydney e promete ser uma das mais animadas e organizadas da história. A maior prova disso foi a multidão de mais de 100 mil pessoas, que transformaram o dia de ontem em um domingo e invadiram o Parque Olímpico, no distante bairro de Homebush Bay. Enquanto os atletas treinavam para experimentar os estádios, ginásios, quadras e piscinas, lá fora milhares de pessoas lotavam o boulevar, as tendas de fast-food, os stands de patrocinadores e a super-loja de produtos olímpicos. Se é verdade que o mundo está em Sydney, os seus moradores não querem perder nenhum momento.
Além do sol mais generoso dos últimos dias e das férias escolares, não faltavam motivos para a verdadeira ocupação do complexo esportivo. A grande maioria foi assistir ou participar do último ensaio para a cerimônia de abertura no Estádio Olímpico. Muitos, porém, ainda foram atrás dos últimos ingressos disponíveis. Outros aproveitaram para fazer compras na super-loja do parque.


