Durante mais de 200 anos festa popular na França só acontecia no dia 14 de julho, data da queda da Bastilha. Além de desfile nos Champs Elysées e na Place de la Concorde, os franceses assistiam disciplinamente os fogos de artifício na Tour Eiffel ou participavam dos bailes populares nas casernas do Corpo de Bombeiros espalhadas pela cidade.
Eles se surpreendiam com as notícias e imagens exóticas dos carnavais nas ruas do Rio e de São Paulo quando o povo brasileiro comemorava nas ruas seus repetidos títulos mundiais de futebol. Os franceses não podiam conceber que uma vitória no futebol poderia causar tal extravasamento de alegria num povo, levando muitos sociólogos da Sorbonne a buscar explicações sem grande êxito.
Só agora, depois da vitória de 1998 e a de 2000 , os franceses começam a entender. A vitória do dia 12 de julho contra o Brasil na Copa do Mundo provocou uma verdadeira explosão de alegria nas ruas de Paris, como se o povo francês só agora tivesse descoberto seu sangue latino.
Domingo, com a nova vitória na Copa da Europa, a explosão de 1998 se repetiu nos Champs Elysées, onde 500 mil pessoas dançaram até as primeiras horas da manhã e uma multidão de 100 mil pessoas voltou a se reunir no inicio da tarde, na Place de la Concorde e imediações para aplaudir seus heróis que lá se encontravam para exibir a taça conquistada contra a Itália.
O futebol passou a ser também na França uma festa popular exatamente como no Brasil, onde adversários políticos como o presidente da República, Jacques Chirac, e o primeiro ministro Lionel Jospin não puderam se abster sem correr o risco de comprometer suas futuras candidaturas presidenciais. O futebol francês passou a ser referência mundial como o brasileiro, argentino, italiano.

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