A luz verde acende, os carros são colocados em movimento e começa a corrida. Esta é apenas a parte mais vísivel de uma prova de automobilismo, mas entre o antes, o durante e o depois da bandeirada final acontecem várias outras coisas. A Folha percorreu os bastidores do último domingo de disputas pelo Campeonato Metropolitano de Automobilismo, no Autódromo Internacional Ayrton Senna, em Londrina, e descobriu, além de algumas curiosidades, um ambiente bem mais familiar do que muitos poderiam imaginar.
Partiremos do princípio. Para que os motores possam roncar é preciso o combustível, um assunto de competência do frentista Leandro Ramos, 24 anos. É ele quem organiza as filas de carros que se formam em frente a bomba. Por final de semana de corrida, chegam a ser consumidos mais de quatro mil litros de álcool. Isso mesmo, os carros - de todas as categorias - são movidos a álcool. Para se ter uma idéia, os Fuscas da Speed consomem por etapa entre 75 e 150 litros, praticamente o mesmo que os Gols da categoria Marcas.
Tanque cheio, vamos para a pista. A largada pode não contar com o glamour das categorias de elite, mas ainda assim emociona quem está nas arquibancadas. ''É pura adrenalina quando os carros largam. Parece que treme até o coração da gente'', confessou o curitibano estreante no autódromo de Londrina, Marcos Vejam, 41. Ele se mudou recentemente para uma casa próxima do circuito e não resistiu ao 'berro' sedutor dos motores. ''Estava em casa a toa, ouvi o barulho e vim ver como é que era'', apontou o representante comercial que levou junto o filho Felipe, de 13 anos.
Quem também estava acompanhado do filho - Maurício, 3 anos - era o vendedor Hudson Valério, 22. Ao lado da namorada Greicieli Fávero, ele brincou que foi para o autódromo ''porque o patrão estava correndo''. ''Fora isso, tenho muitos amigos aqui também. O clima é muito amigável, não tem aquelas briga que a gente vê em estádio de futebol. Meu patrão mesmo, que corre na Speed, bateu o carro e está ali do lado da pista assistindo ao restante da corrida numa boa'', comparou o torcedor.
Quando há algum problema entra em cena o time de mecânicos. O câmbio do Fusca do piloto Rico Mendes não aguentou e ele foi obrigado a parar nos boxes quando estava em terceiro lugar. Sua equipe tirou o motor, trocou a caixa de câmbio e ainda deu um revisada geral. Tudo em tempo de fazer Rico voltar para a segunda bateria no meio da tarde. ''Aqui eles precisam ser eficazes e eficientes'', apontou o piloto. Ele lembrou que tudo tem que estar perfeito porque no final de reta as máquinas chegam a até 180 km/h. ''Quem pensa que ninguém anda nada está muito enganado'', avisou.
Mas se o problema for definitivo e o carro parar em algum ponto do circuito é melhor a fazer é chamar o ''seu Olímpio''. Rapidinho, ele coloca a velha F-1000 para funcionar e resgata os menos afortunados até os boxes. E ainda ajuda a fazer força para tirar o carro de cima do guincho.
Enquanto isso, uma outra categoria já se prepara para sair dos boxes e dar início a mais uma corrida. Enquanto a autorização para formar o grid não é dada, o time aproveita para dar aquela última acertada em tudo, lustrar o capacete, se concentrar. Mas existe também espaço para a descontração. O pai já todo paramentado relaxa com o filho pequeno no colo dentro do cockpit enquanto a mãe se encarrega de registrar o momento. No fim de tudo, esse mundo da velocidade é realmente muito família.

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