Paris - A partida entre França e Brasil, ontem, em Paris, teve repercussão muito maior do que um simples amistoso. Para patrocinadores, o jogo foi um palco ideal para começar 2011 com alta exposição. Para a Nike, fornecedora de materiais esportivos das duas equipes, foi a ocasião de mostrar a sua força. Para cartolas, agentes de jogadores e atletas, o evento se transformou numa grande oportunidade para encontro de negócios.
O dia não começou com uma preleção do técnico Mano Menezes ou com a exibição de um vídeo sobre o time da França aos jogadores brasileiros. Pela manhã, Ricardo Teixeira, presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), se reuniu com o presidente do Barcelona, Sandro Rosell, e a própria cúpula da Federação Francesa de Futebol (FFF). Rosell, que viajou até Paris, foi por anos o representante da Nike no Brasil.
De fato, a Nike também usou o evento nesta quarta como uma grande plataforma de publicidade e levou toda a cúpula para Paris. A França rompeu no fim de 2010 mais de 30 anos de contrato com a Adidas, multinacional alemã, por um contrato quatro vezes maior com a empresa norte-americana, no valor de US$ 320 milhões.
O clássico desta quarta serviu também para aliviar financeiramente a situação da Federação Francesa, que teve em 2010 um déficit em suas contas de 1,3 milhão de euros. Perdeu patrocinadores com o fiasco da Copa do Mundo da África do Sul - a seleção foi eliminada na fase de grupos e houve inúmeros problemas na delegação - e foi obrigada a pagar indenizações milionárias.
A Nike não foi a única a enviar representantes a Paris. Dirigentes do Itaú, patrocinador da seleção e do Mundial de 2014, também estiveram na capital francesa. No lobby do hotel da seleção, jogadores usavam o tempo livre para se reunir com empresários. Jadson (meia do Shakhtar Donetsk, da Ucrânia), Luizão (zagueiro do Benfica) e Julio Cesar (goleiro da Internazionale) foram alguns deles.
Andrés Sanchez, presidente do Corinthians, também apareceu na concentração do Brasil. Ele foi à França para negociar a renovação do contrato do clube com a Nike. Questionado sobre o que faria em Paris, Andrés se recusou a responder. No setor VIP do Stade de France, o trabalho de bastidores prosseguia. Só a Kentaro, empresa que organiza os jogos do Brasil, convidou 120 empresários e personalidades consideradas chave no mundo dos negócios.

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