O que deveria ser eterno durou menos de dois minutos. A marca dos pés que Pelé havia posto na calçada do Hall da Fama, no Maracanã, no aniversário de 50 anos do estádio, foi destruída ontem com um pisão anônimo quando o cimento ainda não havia secado. Pelé deve voltar ao Maracanã na próxima semana para refazer a marca, apagada na confusão e empurra-empurra após a sua chegada ao estádio.
Nilo Sérgio, que se identificou como funcionário da Embratur e ex-jogador do Bangu, foi apontado como o responsável pela pisada. Ele fez piada, mas acabou negando a autoria do feito. ‘‘Agora estou famoso. Pisei no Hall da Fama’’, disse.
Mais famosos do que ele, outros jogadores sujaram seus pés de cimento para a posteridade na calçada, como Zico, Rivelino, Didi, Telê Santana e Nilton Santos. Ao todo, 51 craques foram homenageados na inauguração do espaço – 11 deles já morreram. Quatorze agraciados não apareceram – entre eles Romário, Edmundo, Falcão, Tostão e Júnior.
Os que foram recordavam os melhores momentos. Ou piores, no caso de Zizinho, que participou do jogo mais famoso do Maracanã: a derrota do Brasil para o Uruguai na final da Copa de 50. ‘‘Há 50 anos que eu ouço a mesma pergunta. Por que a gente perdeu o jogo para o Uruguai? Não aguento mais ouvir essa história’’, lamenta.
Pelé, que cortou o bolo de aniversário que reproduzia o estádio, tinha lembranças mais felizes. ‘‘Tudo de bom na minha vida aconteceu no Maracanã: meu início na Seleção Brasileira, o milésimo gol, o gol de placa. O Maracanã é minha vida’’, disse.

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