Festa da vitória tomou conta da Praia de Copacabana
Rio - Nos telões da Praia de Copacabana, a imagem de um envelope numa bandeja deixou em silêncio milhares de pessoas. A aflição de crianças, adolescentes e idosos, muitos com camisa amarela, levou alguns segundos e terminou quando o presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), Jacques Rogge, anunciou a sede dos Jogos de 2016. Às 13h49, uma multidão concentrada em frente ao Hotel Copacabana Palace erguia os braços e bradava como quem comemora o título de uma Copa do Mundo. Sim, o Rio tinha vencido a eleição.
Por alguns instantes, ambulantes largaram a mercadoria, policiais desviaram o olhar investigador, crianças abandonadas e mendigos esqueceram a noite maldormida. Todos celebravam a conquista do Brasil. O choro era inevitável, o riso também. Havia até sósia do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, na festa preparada pela prefeitura do Rio, que encheu a Praia de Copacabana - foi ponto facultativo nas repartições públicas e nas escolas municipais e estaduais.
No palco armado em frente ao hotel, o ator Eri Johnson começou a puxar um tradicional samba do Salgueiro, de 1993, cujo refrão sintetiza o pequeno carnaval em Copacabana: Explode coração, na maior felicidade. Balões de gás, pipas e até minúsculos paraquedas de plástico aproximavam os cariocas do céu azul que contemplou o Rio depois de alguns dias chuvosos e frios. Estou muito feliz, o Rio e o Brasil deram uma demonstração de força para o mundo inteiro, disse a aposentada Liliani Rebelo, que foi ao evento com dois netos.
Desde cedo, todos que atravessavam o calçadão de Copacabana já pareciam convictos de que o Rio seria o vencedor da eleição realizada em Copenhague, na Dinamarca. Cada qual trazia uma informação privilegiada, de amigo ou parente, sobre a indicação da cidade. Vai dar Rio, com certeza, com três votos de diferença, previu José Galante, 27 anos, vendedor de cerveja e refrigerante. O rapaz estacionou seu isopor sobre rodas estrategicamente ao lado de banheiros químicos, faturando alto com a multidão que apareceu.
Já passava das 11 horas quando Lulu Santos começou um show animado, em que lembrou alguns de seus sucessos mais antigos. A resposta do público com movimentos coreografados de braços e pernas refletia o otimismo dos cariocas quanto ao resultado. (A.E.)





