Como diz o hino, o glorioso alvinegro é praiano, mas os londrinenses santistas ''lavaram a alma'' ontem, mesmo longe do litoral. Depois do jogo, centenas de torcedores fecharam as principais avenidas da cidade, carregando camisetas e bandeiras há muito tempo dobradas nas gavetas.
A vitória resgatou o ânimo dos velhos torcedores que lotaram a Avenida Higienópolis (região central), ainda mais diante de uma equipe jovem e afinada, reproduzindo os bons tempos de um jovem craque chamado Pelé. ''Esperei 18 anos por isso. O gosto da vitória é maravilhoso, ainda mais sobre o Corinthians'', gritava Adir Decker, 45 anos, acompanhados dos filhos Adriane, de 14 anos, e Adir Júnior, 19.
Para os que passaram a adolescência sem nunca ter vibrado com o time do coração erguendo a taça, o velho ditado cai aqui como uma luva: ''filho de peixe, peixinho é''. ''Foi sofrido crescer sem ver o meu time ganhar, mas valeu a pena esperar'', garantiu Decker Junior, em meio a santistas carregando troféus, bandeiras e até um peixe inflável.
Em um dos bares mais movimentados da cidade, a alegria já estava estampada no rosto dos jovens torcedores antes mesmo de acabar. O ''enterro'' do adversário um belo gol marcado por Léo acabou de vez com o receio de esperar mais um ano sem pôr a mão no caneco. ''Sempre fui santista e tenho orgulho do Peixe. Mas nem preciso dizer que merecemos o título'', comemorou Alex Marcos Silva, 19. O colega corintiano que acompanha os últimos minutos, reconheceu no final a supremacia dos ''Meninos da Vila''. ''O Guilherme jogou mal e perdeu dois gols. Mas o Santos está de parabéns pelo campeonato'', lamentou Fernando Augusto Oliveira Costa, 21, que acompanhou discretamente a comemoração da galera.
No extremo norte da cidade, a Avenida Saul Elkind do conhecido Cinco Conjuntos foi pequena para tantos santistas vitoriosos. Em menos de meia hora depois do jogo, pista bloqueada, caminhões repletos de torcedores e muito pagode contagiaram mentes e pés dos mais tímidos fãs do time. ''Já estamos com o troféu aqui. Agora é só comemorar com a família'', disse Jair Juliani, 45, mostrando uma taça amparada pelos dois filhos.
O grito entalado na garganta há 18 anos se estendeu noite afora, na esperança de ver Santos com a faixa de campeão da Taça Libertadores. Com Robinho e Diego encabeçando a rapaziada, alguém se arriscaria hoje a apostar contra?

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