Ferroviária comemora 50 anos em crise
Ribeirão Preto, 13 (AE) - A Ferroviária comemora 50 anos e a atual diretoria empenha-se em tirar o time de Araraquara da situação em que se encontra, na Série A3 do Campeonato Paulista.
Após cinco rodadas, a equipe é a penúltima colocada com apenas três pontos e nenhuma vitória e, hoje, estaria rebaixada à Série B1A. "Nem pensamos nisso; faltam dez rodadas e vamos buscar a classificação entre os oito primeiros", afirma o presidente Milton Cardoso, que procura renegociar e controlar a dívida atual, que é de R$ 1,5 milhão, uma quantia alta para quem está na terceira divisão.
A Ferroviária, no entanto, já teve momentos gloriosos na elite estadual, terminando em quarto em 1985, após eliminar o Corinthians, inclusive no tapetão, num caso que envolvia o zagueiro Dama - em 1959, foi a terceira colocada. Teve dois acessos na segundona, em 1955 e 1966, e foi tricampeã do interior, entre 1967 e 1969. No Campeonato Brasileiro, em 1983, a "Ferrinha", como é carionhosamente conhecida na cidade, ficou na 12ª colocação. Os ídolos do passado são diversos, como o volante Dudu (ex-Palmeiras), Faustino (ex-São Paulo), Bazani (ex-Corinthians) e Téia, artilheiro do Paulista de 1968, com 20 gols, superando Pelé e Toninho Guerreiro.
Os jogadores atuais nem fazem sombra aos do passado. Rodrigo Nozé e Beto Médici são os destaques, comandados por Marco Antonio Machado, ex-Botafogo de Ribeirão Preto. Revelações? Ti, volante, é uma esperança. Mas, devido aos desmandos, o time caiu em 1996 para a Série A2 e, no ano seguinte, para a A3, de onde quase saiu em duas ocasiões - fracassou na reta final. Porém, a crise assusta. O meia Borçato, que defendeu o clube em 1996, ganhou ação trabalhista de R$ 25 mil e o alojamento dos atletas (que vale R$ 380 mil) foi a leilão no dia 6. A sorte - ou azar - é que não houve arrematador. A folha mensal de R$ 50 mil - R$ 35 mil só com o futebol - está sob controle, em dia, afirma Cardoso. "A Ferroviária ainda está aberta, ao contrário de outros clubes", comemora ele, reclamando apenas que, na A3, o nível das arbitragens é fraco. "Nosso time tem tradição e é mais fácil disputar a A1." Para isso, basta transformar o sonho em realidade, em campo.





