Heron Ricardo Ferreira é carioca, tem 53 anos e pode se considerar um cidadão do mundo. Ex-auxiliar de Vanderlei Luxemburgo no Flamengo, em 1990, e no Corinthians, em 2001, ele tem um currículo bastante extenso, com muitas passagens pelo futebol africano e pelo Oriente Médio.
Heron está no Rio de Janeiro há pouco mais de um mês, desde que conseguiu deixar a Líbia, onde vinha trabalhando. Ele ainda tem contrato com o Al Ahly Trípoli, mas fugiu do país após o início da revolta popular contra o ditador Muamar Kadafi, com quem esteve em fevereiro, durante inauguração da nova sede do clube, o mais popular do país.
O técnico confirmou que foi procurado pelo empresário Sérgio Malucelli no domingo à noite. O treinador, que foi vice-campeão paranaense com o Coritiba em 1996, se mostrou empolgado com a possibilidade de trabalhar em Londrina e já mantém discurso de contratado. ''O Sérgio é meu amigo de longa data, mas tenho uma rescisão alta na Líbia. Seria uma boa oportunidade para voltar ao mercado brasileiro. Estou muito motivado com esse projeto no Londrina, com essa nova fase. A cidade é apaixonada pelo time e é um grande centro do Paraná'', afirmou, com exclusividade à FOLHA, o treinador, que passa férias em uma casa de campo da família no interior do Rio. Heron pediu até hoje de prazo para dar a resposta. Ele precisa acertar sua saída do time líbio.
O técnico, que já foi tricampeão do Sudão, ficou oito meses na Líbia. Ele contou que passou momentos de tensão por conta dos tiroteios. ''Ouvi tiros, rajadas de metralhadora. Vivia em um lugar maravilhoso, com vista para o Mar Mediterrâneo, mas você se sente atingido a partir do momento que helicópteros começam a sobrevoar sua casa'', relatou Ferreira, que despachou a mulher e a filha de avião e foi de barco até Malta. ''Tive uma saída facilitada por ser treinador do 'Corinthians' da Líbia'', completou Ferreira, que foi campeão da Série B do Brasileiro em 1994 com o Figueirense.
Junto com ele saíram cerca de outros 20 brasileiros entre integrantes da comissão técnica e familiares. Depois de passar por tensão no Sudão, Egito, Catar, Paraguai e Líbia, ele chega calejado para aguentar outro tipo de pressão: a volta do Londrina à Primeira Divisão em 2011. (T.M.)

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