Ferrari troca de defletores em Suzuka
Agência Folha
De Suzuka, Japão
Atrás de seu primeiro Mundial de Pilotos desde 1979 e querendo evitar sustos como o da desclassificação da prova da Malásia, a Ferrari adotou uma tática de risco zero para o GP do Japão, última etapa da F-1, neste domingo. E, voluntariamente ou não, acabou aumentando a polêmica em torno da decisão do campeonato. Apesar de ter sido absolvida pela Corte Internacional de Apelações da FIA (Federação Internmacional de Automobilismo), a equipe trouxe a Suzuka um novo modelo de defletor, sem a diferença alegada de 3 mm que quase lhe fez perder a temporada na última semana.
Quatro unidades da peça (duas para cada carro) foram construídas às pressas na fábrica de Maranello e chegaram ontem aos boxes do circuito japonês. O discurso da equipe é o de que a nova especificação da peça um apêndice aerodinâmico, nas laterais dos carros vai eliminar os riscos de uma nova punição e encerrar as dúvidas em torno do caso na F-1. Afinal, defende a Ferrari, se os carros andarem tão bem em Suzuka como em Sepang, ficará definitivamente provado que o defletor antigo não trazia nenhuma vantagem.
Para sua maior adversária, a McLaren, porém, a questão principal é outra. Se os defletores estavam realmente dentro do regulamento técnico da F-1, por quê mudá-los justamente agora? O mexicano Jo Ramirez, dirigente da McLaren, exprimiu ontem o ambiente na equipe inglesa. Para mim, a sigla FIA só pode significar Ferrari Internal Affairs (em inglês, algo como Assuntos Internos da Ferrari), declarou.
Reviravolta A equipe italiana havia perdido os pontos conquistados no GP da Malásia depois que uma vistoria constatou uma diferença de 10 mm entre a borda superior e a borda inferior dos seus defletores, o que vai contra o regulamento técnico da categoria. A Ferrari entrou com um apelo contra a punição, alegando que a diferença nas medidas era, de fato, de 3 mm, o que está dentro da margem de erro permitida. No sábado, recebeu os pontos de volta. A FIA admitiu o erro na medição e devolveu a vitória de Eddie Irvine e a segunda colocação de Michael Schumacher.
Na prática, a entidade reabriu o campeonato com a Ferrari sem os pontos, o finlandês Mika Hakkinen, da McLaren, conquistava antecipadamente o título. Desde o anúncio, a absolvição ferrarista foi recebida com desconfiança por parte da categoria.
O primeiro teste das novas peças acontece já na madrugada de amanhã, quando acontecem as duas primeiras sessões de treinos livres para o GP do Japão. Assim como aconteceu na Malásia, há duas semanas, a previsão da meteorologia é de chuva, o que pode tornar inútil a sessão e aumentar em importância o treino oficial de sábado Suzuka é uma das pistas mais estreitas do calendário, o que torna raras as ultrapassagens durante os GPs.
Irvine lidera o campeonato com 70 pontos, quatro a mais do que Hakkinen. O finlandês será bicampeão mundial, seja qual for a posição obtida pelo irlandês, apenas se vencer a prova.





