Em pane, a Ferrari disputa hoje o treino oficial para o GP da Bélgica, em Spa-Francorchamps, tentando escapar de algo que parece inevitável: sua mais grave crise interna das últimas temporadas. A missão é complicada. Pressionada, a escuderia não vem conseguindo tirar proveito das novidades que instala nos carros.
Prova disso, ontem, no primeiro treino livre, os pilotos da equipe italiana foram muito mal. Para piorar ainda mais sua situação, a dupla da McLaren terminou o dia com os dois melhores tempos. O mais rápido foi David Coulthard, com 1min53s398. Em segundo, ficou seu colega, Mika Hakkinen, com 1min53s919.
Enquanto isso, o melhor ferrarista foi o bicampeão Michael Schumacher, apenas com o quinto tempo, a 0s828 do escocês. O alemão ficou atrás de Johnny Herbert e de Jacques Villeneuve, respectivamente da Jaguar e da BAR, equipes com potencial muito inferior ao da Ferrari. Rubens Barrichello foi ainda pior: ficou só em nono, distante 1s104 de Coulthard.
Com opiniões desencontradas, a escuderia italiana não conseguiu arrumar uma explicação para o resultado. De concreto, apenas a decepção pelo fato de não ter evoluído após os quatro dias e mais de 2.500 quilômetros de testes da semana passada.
Se os dois ferraristas não melhorarem muito para o treino oficial, as chances de uma boa corrida, amanhã, serão aniquiladas. E, em caso de nova vitória da rival McLaren, a Ferrari deve entrar em uma crise profunda.
Em relação aos outros brasileiros, Pedro Paulo Diniz, da Sauber, fez o 14º tempo, seguido por Ricardo Zonta, da BAR, em 15º. A definição do grid será hoje, a partir das 8 horas (de Brasília), com transmissão ao vivo da Rede Globo.
Zonta – Enxotado da BAR, Ricardo Zonta deve fechar nos próximos dias um contrato para correr na Arrows em 2001. Ontem, depois do treino, ele foi flagrado ao lado de seu empresário, Geraldo Rodrigues, entrando no caminhão da equipe para uma reunião.
A cena, incomum para a F-1 atual, em que as conversas são cercadas de sigilo, causou uma aglomeração de repórteres no paddock. À saída do encontro com o inglês Tom Walkinshaw, proprietário do time, Zonta não teve como negar a transação.
‘‘Ainda não tem nada fechado. Não há nada decidido. Estava falando com o Tom (Walkinshaw) pela primeira vez’’, disse o brasileiro. ‘‘Tenho mais um convite para correr e ainda outro para ser piloto de testes. Vamos ver.’’

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