São Paulo - Após realizar uma reunião de sua diretoria, a Ferrari afirmou em um comunicado oficial que não pretende alinhar carros no Mundial-2010 de F-1 caso a Federação Internacional de Automobilismo (FIA) não mude o regulamento previsto para a próxima temporada, que institui regulamentos diferentes para as escuderias que adotarem ou não o teto orçamentário de 40 milhões de libras (cerca de R$ 129 milhões).
Se for confirmada a desistência, será a primeira vez na história da categoria, criada em 1950, que a Ferrari ficará fora do campeonato. A escuderia italiana é a única que jamais ficou fora de um Mundial. A nova regra do teto diz que o time que se submeter ao limite receberá vantagens técnicas, como utilizar asas móveis e contar com um motor sem limite de giros, além de poder testar seus carros durante todo o ano.
"A Ferrari confirma sua oposição ao novo regulamento técnico adotado pela FIA e não pretende inscrever carros no campeonato de 2010", diz o comunicado, logo no início. "(...) As decisões tomadas (pela FIA) significam que, pela primeira vez na história da F-1, a temporada 2010 verá a introdução de dois regulamentos diferentes baseados em regras técnicas arbitrárias e parâmetros
econômicos."
"O conselho (da Ferrari) considera que se este for o regulamento da F-1 para o futuro, então as razões que levaram a Ferrari a ter participação ininterrupta no Campeonato Mundial nos últimos 60 anos - o único construtor a ter participado desde 1950 - chegariam a um fim", continua o comunicado.
A Ferrari também se disse "desapontada com os métodos adotados pela FIA para tomar decisões de natureza tão séria e sua recusa em atingir de forma efetiva um entendimento com os construtores e equipes".
"As regras que contribuíram para o desenvolvimento da F-1 nos últimos 25 anos foram prejudicadas, assim como as obrigações contratuais entre Ferrari e FIA no que diz respeito à estabilidade do regulamento", acrescenta a equipe. "Caso esses princípios indispensáveis não sejam respeitados e as regras adotadas para 2010 (que incluem o teto orçamentário) não mudarem, a Ferrari não pretende inscrever seus carros no próximo Mundial", ameaça
a escuderia.
A direção da escuderia ainda disse acreditar que seus fãs entenderão que "a difícil decisão é coerente" com a busca da Ferrari em promover os valores técnicos e esportivos da F-1 e do automobilismo.

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