A ordem dada por Jean Todt, diretor-esportivo da Ferrari, a Rubens Barrichello para deixar Michael Schumacher ultrapassá-lo no GP da Áustria, domingo, ainda provoca polêmica. Afinal, a equipe ganhou ou perdeu com o episódio? Perdeu. O desgaste da imagem da escuderia, que parece viver em função de Schumacher, aumentou. Além disso, dar dois pontos a mais ao alemão, para que chegasse em segundo, revela que o time já não está tão confiante em seu potencial quanto no início da temporada, quando vencia tudo.
Ontem, manchetes, reportagens e editoriais no mundo todo, até na Itália, comprovavam o profundo equívoco de Jean Todt e Ross Brown. A medida não teve efeito nem no Mundial de Construtores. Os dez pontos que a equipe somou com o alemão em segundo e Rubinho em terceiro foram os mesmos que somaria com a posição original dos dois.
Por outro lado, se Rubinho aceitar a proposta da Ferrari de renovar seu contrato por apenas um ano, em vez dos três que deseja, o anúncio não poderá ser feito tão cedo. Hoje, isso seria interpretado como pagamento por sua ‘‘generosidade’’, como Schumacher definiu a atitude do brasileiro no GP da Áustria.
Luciano Burti, da Prost, grande amigo de Barrichello, definiu em poucas palavras as consequências de uma eventual desobediência: ‘‘Rubinho cairia fora imediatamente.’’
Há, também, os que acham que Barrichello deveria ter atendido logo à ordem da Ferrari e não deixar para abrir passagem pouco antes da bandeirada, como o jornalista inglês Mike Doodson, há mais de 30 anos na F-1. ‘‘Ao fazer isso, Rubens quis deixar claro que aquilo estava ocorrendo por ordem da equipe. O melhor teria sido deixar Michael passar logo, para que lutasse com David Coulthard pelo primeiro lugar’’, disse Doodson. ‘‘Havia até uma chance de os dois se tocarem e Rubens vencer a corrida.’’

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