Ferrari quase sempre perde nas provas decisivas
representa um handcap precioso, capaz de aumentar significativamente suas chances de romper todas essas tradições. Ano passado, era Hakkinen quem tinha os mesmos quatro pontos a mais no campeonato com relação a Michael Schumacher: 90 a 86. O piloto da Ferrari estabeleceu a pole do GP do Japão de 1998, fazendo crescer a perspectiva dos italianos, mas o carro morreu na largada e ele foi obrigado a largar em último. O caminho ficou livre para Hakkinen vencer a corrida e conquistar seu primeiro Mundial. Em 1997, em Jerez de la Frontera, Espanha, o alemão tinha um ponto a mais que Jacques Villeneuve, da Willliams, na classificação, 78 a 77. Ao perceber que seria ultrapassado e com isso perderia o primeiro lugar e o título para o canadense, Schumacher jogou sua Ferrari sobre a Williams, mas quem acabou no meio do caminho foi ele próprio. A Ferrari teria de aguardar mais um ano na fila. Antes, apenas em 1983 a equipe de Maranello teve um piloto com possibilidades de ser campeão na última etapa. O francês Rene Arnoux se apresentou para o GP da áfrica do Sul com 49 pontos. O líder era Alain Prost, da Renault, com 57, seguido por Nelson Piquet, da Brabham, com 55. No fim, Piquet conquistou o campeonato com o terceiro lugar na prova. O que aconteceu com Arnoux é curioso: enquanto ajudava empurrar sua Ferrari para a grama, nos treinos, ao enfrentar problemas mecânicos, uma das rodas atingiu o seu tornozelo direito. Com o local muito dolorido, não conseguia brecar apropriadamente ao longo das 77 voltas da corrida, ausentando-o da disputa. Até hoje muitos italianos não perdoam Niki Lauda pela sua decisão de abandonar o GP do Japão de 1976, no circuito Monte Fuji, última corrida daquela temporada. Ainda na segunda volta, o austríaco encostou surpreendentemente sua Ferrari nos boxes alegando falta de segurança para prosseguir na competição. Chovia forte. Ele liderava o Mundial, com 68 pontos, enquanto James Hunt, da McLaren, estava em segundo, com 65. Tudo o que Hunt precisou fazer para ficar com o título foi chegar em terceiro lugar, a uma volta do vencedor, Mario Andretti, da Lotus. Dois anos antes, em 1974, também na última etapa do campeonato, Clay Regazzoni não conseguir quebrar, na época, a série de dez anos sem título da Ferrari. O suíço e Emerson Fittipaldi, da McLaren, largaram no GP dos Estados Unidos, em Watkins Glen, com o mesmo número de pontos, 52. Emerson foi quarto enquanto Regazzoni abandonou, dando o segundo título para o Brasil e mais um ano de espera para os italianos. A última vez que a Ferrari conquistou o campeonato na corrida decisiva foi em 1964. O inglês John Surtees chegou em segundo no GP do México, somando no total 40 pontos na classificação geral. Graham Hill, da BRM, não marcou pontos e ficou com os 39 úteis que havia obtido até então. Nessa prova, a Ferrari talvez tenha esgotado sua cota de sorte na F-1: Jim Clark, da Lotus, liderou 64 das 65 voltas da corrida. Na última delas, o carro quebrou, dando a Surtees seis pontos em vez dos quatro da terceira colocação, posição que ocupava. Esse dois pontos a mais o permitiram superar Graham Hill.Por Livio Oricchio Suzuka, 28 (AE) - O norte-irlandês Eddie Irvine terá de lutar, no fim de semana, não só contra o tabu de 20 anos sem título da Ferrari, mas principalmente contra a incrível coincidência de a equipe italiana quase sempre perder nas corridas decisivas. Nos últimos 25 anos, a Ferrari perdeu cinco títulos mundiais nas etapas que definiram o campeonato: 1974, 1976, 1983, 1997 e 1998. É bem verdade que desta vez a vantagem de Irvine na classificação, quatro pontos à frente de Mika Hakkinen (70 a 66)





