Ferrari promete competitividade desde o início
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sexta-feira, 29 de janeiro de 1999
Por Livio Oricchio 
São Paulo, 29 (AE) - A expressão é de Michael Schumacher: "Este ano nós não iniciaremos o Mundial com um segundo de atraso com relação à McLaren, como na temporada passada." É com esse espírito de otimismo e confiança que Schumacher participa amanhã, na pista de testes de Fiorano, do lançamento da nova Ferrari, o projeto 650 da organização italiana - o carro com que o alemão espera quebrar a série de 20 anos sem títulos mundiais da Ferrari. "Nós terminamos o último campeonato quase no mesmo nível da McLaren e, agora que usaremos o mesmo pneu deles, deveremos ser competitivos desde a primeira corrida."
·s 10h30, sob o frio do inverno europeu, a F650, F301 - o nome oficial ainda é desconhecido - será apresentada à imprensa ao ar livre. As instalaçäes do auditório da fábrica de Maranello, do lado da pista de Fiorano, ficou pequeno para receber os cerca de 700 jornalistas esperados.
O carro da Ferrari nasce atrasado, por conta do maior programa de testes já executado por um time de Fórmula 1, ano passado. Para recuperar o atraso em relação à McLaren e à Bridgestone, a Ferrari e a Goodyear fizeram 134 dias de treinos, de março a outubro. A Ferrari de 1999 é também o primeiro modelo concebido a partir dos estudos no novo túnel de vento da equipe, no qual foram investidos em torno de US$ 15 milhäes.
Jean Todt, o polêmico diretor Esportivo da equipe, deu recentemente alguns detalhes de como será a nova Ferrari. "Concentramos nossa atenção na redução do peso, a fim de melhorar a sua distribuição e poder trabalhar nas pistas com o deslocamento do centro de gravidade."
A responsabilidade do projeto é do sul-africano Rory Byrne, que admitiu que muitas áreas da F650 permanecerão inalteradas em relação à eficiente versão da F300 utilizada no fim do ano passado. O novo e ultracompacto motor 048 não deverá equipar o carro nas primeiras provas do campeonato.
Michael Schumacher e Eddie Irvine começam a temporada, dia 7 de março na Austrália, com a versão do V-10 usada no GP do Japão, o último de 1998. Sua estréia está prevista apenas para o GP de San Marino, em maio.
Esse trabalho em duas frentes distintas, chassi e motor, faz da Ferrari e da Arrows equipes únicas. "O nosso desafio é duplo, duas vez também mais difícil que para os nossos adversários", lembra Todt. O principal concorrente da Ferrari, a McLaren, tem como sócia a Mercedes, fornecedora dos motores e de algumas tecnologias bastante sofisticadas. É essa característica de produzir quase sozinha o seu carro que levou a Ferrari a protestar contra a adoção do limite de dias de testes na Fórmula 1. Agora, o total de dias para treinos particulares é de 50, e 25 são de testes coletivos e apenas 25, de privados. Cada time tem direito, por ano, a 200 jogos de pneus por carro para esses ensaios.
A exemplo do ano passado, Michael Schumacher e Eddie Irvine não deverão testar a F650 em conjunto com outros pilotos. Apesar de não ter divulgado ainda sua programação, a tendência é de que a escuderia de Maranello trabalhe apenas nas suas pistas, Fiorano e Mugello, a partir de segunda-feira.


