Maranello, 03 (AE) - A direção técnica da Ferrari não tem feito nenhum elogio direto a Rubens Barrichello, mas algumas de suas decisões comprovam que o trabalho do brasileiro tem agradado muito à equipe. "Eles me pediram para testar segunda e terça-feira e, mais que de pronto, aceitei", disse Rubinho, depois de estabelecer 1min01s063, melhorando ainda mais seu tempo. Os jornais esportivos italianos deram destaque hoje ao fato de que ele já está bem próximo do recorde da pista de Fiorano.
O resultado deixou Rubinho muito feliz, apesar de ter completado apenas 12 voltas no traçado de 2.976 metros. De manhã
havia tanta névoa que não se enxergava a pista. À tarde, quando treinou, o motor acabou quebrando. "Pela primeira vez usei o motor da prova do Japão, última versão, e deu para ver que suas respostas de potência nos regimes mais baixos são ainda melhores do que as do motor que vinha utilizando", contou. Nos dois primeiros dias, a Ferrari optou por equipar seu carro com a versão da corrida de Nurburgring, a penúltima.
A satisfação de Rubinho decorria também do fato de o motor ter-se quebrado na sua volta lançada. "Os mecânicos ficaram meio impressionados, porque eu estava quatro décimos de segundo mais rápido." Se tivesse completado a volta, seu tempo poderia cair para 1min00s6, abaixo, portanto, do recorde do circuito, 1min00s881, de Luca Badoer, piloto de testes, obtido em 19 de outubro, mas com pneus extramacios e temperatura próxima dos 20 graus.
Sem pressão - "No primeiro momento fiquei frustrado, mas depois, pensando bem, foi bom o motor quebrar", disse. "Já pensou a pressão que eu poria sobre mim mesmo?" Um resultado desses quase que o obrigaria no primeiro teste conjunto com outras equipes, a partir do dia 13 em Jerez de la Frontera, na Espanha, a ser também o mais veloz de todos. "Acho que estava escrito que eu não deveria bater esse recorde." Christian Fittipaldi acompanhou o ensaio. "Achei que ele superaria a melhor marca da pista", comentou.
Rubinho começou os testes na nova equipe estabelecendo 1min02s148 (58 voltas) no primeiro dia. Na quinta-feira, marcou 1min01s235 (89) e, hoje, 1min01s063 (12). No treino desta sexta-feira, sua Ferrari tinha, além da última versão do motor deste ano, novas pinças e pastilhas de freios por solicitação do piloto. "A cada modificação que faço, o carro fica mais e mais gostoso de guiar."
Já mais acostumado com as características do F399, Rubinho disse estar bem mais confiante em andar entre os primeiros nos testes de Jerez. "Agora que conheço um pouco do carro, não dá para ficar em quinto ou sexto; tenho é de estar entre os primeiros mesmo."
Ninguém da equipe falou com a imprensa, apesar dos pedidos dos jornalistas locais. Mais uma vez, Jean Todt, diretor-esportivo da Ferrari, esteve em Fiorano durante parte do teste, o que, como lembrou Rubinho, não é comum. No intervalo entre a sessão da manhã, que quase não houve por causa da neblina, e a da tarde
o piloto conversou com a imprensa italiana na porta do autódromo, sob uma temperatura de 2 graus. Ele já tinha permissão da Stewart para a entrevista. No primeiro dia dos testes, ela foi negada.
Rubinho estará em férias do dia 16, quando termina o seu trabalho em Jerez, até o início de janeiro. A pequena cirurgia para correção de um problema na costela que lhe causa dores, decorrente de seu grave acidente em Ímola, em 1994, deverá ser realizada em São Paulo nesse período.

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