O diário esportivo italiano Corriere dello Sport vai questionar na edição desta terça a permanência de Felipe Massa na Ferrari, diante de o piloto "não corresponder minimamente com sua função" de marcar pontos para a equipe crescer no Mundial de Construtores. Na edição da Gazzetta dello Sport, desta segunda, com a cobertura da prova de Barcelona, o nome de Felipe Massa simplesmente não aparece nos textos publicados. É como se ele não existisse. E Massa é um piloto da Ferrari, italiana como o jornal.

Na conversa com os jornalistas, domingo, Massa era um homem abalado. Comentou não ter maior responsabilidade na definição do grid, ao estabelecer apenas o 16.º tempo enquanto seu companheiro, Fernando Alonso, com o modelo F2012 reprojetado, lutou pelas primeiras colocações. "Saí para a pista num momento em que havia vários carros lentos na minha frente." Decisão principalmente da equipe.

E durante a corrida, largou muito bem, a oitava colocação, como disse, era uma possibilidade real, mas recebeu uma punição por, segundo os comissários, não respeitar a bandeira amarela. "Isso destruiu minhas chances de marcar pontos." Argumento em parte procedente. Lewis Hamilton, da McLaren, largou em último e terminou em oitavo.

Faz parte do elenco de responsabilidades do piloto superar todos esses desafios, evitá-los, posicionar-se de maneira a não tornar-se vítima de situações adversas. E enquanto Alonso parece antecipar-se ao que pode prejudicá-lo, Massa regularmente acaba se comprometendo. Alonso e seu engenheiro, Andrea Stella, saem-se muito melhor que Massa e seu
engenheiro, Rob Smedley.

Depois entra em cena a competência de ser veloz mesmo com um carro não dos mais equilibrados, como o da Ferrari até Bahrein. E nesse quesito o espanhol é capaz de milagres, o que não é o caso de Massa. O quadro de inferioridade técnica em relação ao companheiro, alimentado com regularidade pelos sucessos de Alonso, lançou Massa para baixo. Ele não
reconhece questões emocionais no seu momento.

Este ano, depois de cinco etapas, apesar das severas limitações do modelo F2012 até Bahrein, o espanhol conseguiu a proeza de ser líder do Mundial junto de Sebastian Vettel, da Red Bull, com 61 pontos. Massa, somou dois pontos apenas, da nona colocação do GP de Bahrein. Ao ser questionado se teme pelo seu futuro imediato na Ferrari, respondeu, na Espanha ainda: "Não. Vivo o presente. O que tiver de acontecer vai acontecer." A respeito das críticas que viriam por outra diferença expressiva para Alonso em Barcelona, falou: "Não tenho medo de nada, críticas, cara feia, nada disso me afeta."

Não há indícios de que a Ferrari possa dispensar Massa em pleno campeonato, a não ser que essa falta de resultados se estenda até, por exemplo, o GP da Bélgica, 12.º do calendário, anterior ao de Monza. Mas quem Stefano Domenicali, diretor da escuderia, escolheria para substituí-lo? Não há ninguém disponível no mercado.

E dispensar Massa poderia criar algumas áreas de desgaste com pessoas de muito poder na Fórmula 1, como o presidente da FIA, Jean Todt, cujo filho, Nicolas, é o empresário do piloto. Com um carro um pouco melhor, como sugere ser, agora, a versão B do F2012, Massa tem mais condições de somar pontos com regularidade para ajudar a Ferrari no Mundial de Construtores e tornar sua vida menos estressante até o final do campeonato. Essa hipótese é bem mais provável que ser substituído.

mockup