Ferrari mais um ano na fila
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sábado, 30 de outubro de 1999
Por Livio Oricchio 
Suzuka, 31 (AE) - E a Ferrari ficará mais um ano na fila por um título de pilotos. Mika Hakkinen, da McLaren, venceu hoje o GP do Japão, em Suzuka, com a competência que lhe faltou algumas vezes este ano, e conquistou o bicampeonato mundial, pela McLaren. À equipe italiana restou a vitória entre os construtores, garantida hoje pela segunda colocação de Michael Schumacher e o terceiro lugar de Eddie Irvine, sua dupla de pilotos. O resultado acabou atendendo a todos os interesses.
"Brilliant, que palavra perfeita têm os ingleses para expressar o que estou sentindo", disse, emocionado, o finlandês. Ele conseguiu em Suzuka o que poucos acreditavam ser possível: reverter a significativa vantagem de Irvine na classificação e vencer o Mundial. "Felizmente esse ano acabou, eu não tinha mais energia para prosseguir, sinto-me no meu limite." Para Hakkinen, tudo foi decidido na largada do GP do Japão.
"Olhamos no computador e vimos que eu nunca havia partido do zero aos 160 km/h em tão pouco tempo como desta vez"
comentou. "Saí como uma bala de canhão." Ao deixar Michael Schumacher, o pole position, para trás, aproveitando-se também de um erro do alemão, o caminho do título ficou aberto. "Disse a mim mesmo, é só manter essa posição até o fim." E foi o que fez, da primeira a 53ª e última volta, num dos seus melhores trabalhos na F-1, segundo Ron Dennis, um dos sócios da McLaren. Mas nem tudo transcorreu com facilidade. "No meu primeiro pit stop (19ª volta), a roda dianteira esquerda não encaixou corretamente e fiquei tenso", contou. "Por sorte, perdi apenas 2,5 segundos a mais nos boxes".
Ele se referia a Michael Schumacher, que na 22ª volta foi mais veloz na parada. Hakkinen gastou 8,8 segundos enquanto o alemão, 6,3. O receio de que algo pudesse ocorrer no carro o preocupou depois. "Minha última vitória foi na Hungria, há dois meses e meio (dia 15 de agosto), havia já esquecido de como controlar essas sensações e passei a temer por uma pane na minha McLaren." A última curva, a de acesso à reta dos boxes, foi a mais longa da carreira, lembrou rindo. "Eu estava lento para poupar o motor e, ao superá-la, disse a mim mesmo que ninguém mais me venceria", falou.
"Depois de tantas decepções e choros, a hora era para comemorar." Segundo ele, "as coisas se desenvolveram no Japão como deveriam durante todo o ano." Hakkinen e a McLaren conviveram com a acusação de "estarem fazendo força para perder o título", como definiu Jackie Stewart, já que a vantagem técnica do modelo MP4/14-Mercedes era grande sobre os concorrentes. Tanto o piloto quanto a equipe cometeram vários erros. A ausência de Michael Schumacher em sete etapas da temporada também pesava contra Hakkinen.
"E pensar que na Malásia eu cheguei a acreditar que tudo havia acabado", retoma o discurso o finlandês. Na prova de Kuala Lumpur Irvine ficou em primeiro, Schumacher em segundo e ele apenas em terceiro, perdendo a liderança do campeonato. "Foi o meu momento mais difícil e vocês sabem o porquê." Schumacher o segurou na terceira colocação para que Irvine vencesse. "O melhor instante? Dois: hoje, aqui, claro, e no Canadá, quando ganhei uma prova em que nunca havia ido bem." Sem ter como enfrentar Hakkinen e a McLaren em Suzuka, só restou à Ferrari resignar-se com a perda de um título que desde 1979 não consegue e consolar-se com a conquista do Mundial de Construtores.
Heinz-Harald Frentzen, da Jordan, terminou em quarto o GP do Japão, confirmando a terceira colocação no campeonato. Ele disputava a posição com o inexpressivo David Coulthard, da McLaren, que hoje comenteu o enésimo erro na temporada, ao se acidentar.
Ralf Schumacher, da Williams, deu mais dois pontos à Williams, ao se classificar em quinto, e Jean Alesi despediu-se da Sauber com um sexto lugar. O regulamento da F-1 proíbe qualquer atividade das equipes em pista durante este mês. Os primeiros testes estão programados para a primeira semana de dezembro.


