O 52º Campeonato Mundial de Fórmula 1, que começa na madrugada de domingo, em Melbourne na Austrália, marcará novamente a disputa entre duas escuderias: Ferrari e McLaren. Mais uma vez, o piloto alemão Michael Schumacher larga como favorito à conquista do título pela Ferrari. Seus rivais serão o finlandês Mika Hakkinen e o inglês David Coulthard, da McLaren. O brasileiro Rubens Barrichello, 28 anos, que conseguiu sua primeira vitória na F-1 em 2000 lutará pela própria sobrevivência na Ferrari.
O Brasil terá este ano quatro pilotos na categoria – três deles do Paraná – e Barrichello é o único com chances reais de vencer uma corrida. Enrique Bernoldi (Arrows), Luciano Burti (Jaguar) e Tarso Marques (Minardi) terão de dominar as dificuldades de suas equipes para conquistar algo mais no campeonato.
Depois de provocar a ressurreição da categoria no Brasil no ano passado, correndo pela Ferrari, Barrichello precisa provar seu talento para continuar na equipe. Seu contrato termina no fim do ano e, para renová-lo, Barrichello lidará com uma situação delicada.
De um lado, a cobrança (sua, de seu público, da cúpula do time) por resultados. De outro, o cuidado para não melindrar Michael Schumacher, seu companheiro de equipe, elevado ao status de redentor ferrarista no ano passado.
Depois de amargar 21 temporadas sem títulos do Mundial de Pilotos, a escuderia vê agora sua grande chance de, como também prometeu Schumacher, iniciar uma inédita ‘‘era Ferrari’’ na F-1.
Além do favorecimento nos testes, outros fatores indicam que o alemão terá neste ano vida mais tranquila do que em seus cinco Mundiais anteriores pelo time. A Ferrari, por exemplo, anunciou no início do mês passado a renovação dos contratos de toda a sua cúpula técnico-esportiva. Jean Todt (diretor esportivo), Ross Brawn (diretor técnico), Paolo Martinelli (engenheiro de motor) e Rory Byrne (projetista) ficarão na equipe até 2004.
Os únicos dois pilotos que devem desafiar Schumacher são Mika Hakkinen e David Coulthard, da McLaren. Há apenas um ano correndo por um grande time, Barrichello ainda tem um currículo que deixa a dever quando comparado ao desses pilotos.
Para o brasileiro, submetido às condições de segundo piloto, o desafio será resolver uma equação. Conhecido por seu temperamento intempestivo (das sete primeiras corridas de 2000), terá que manter durante todo o ano um comportamento moderado (das três corridas entre Mônaco e Alemanha) para facilitar a renovação de seu contrato com a Ferrari.
Nessa situação, manteria ainda chances de, um dia, se tornar a aposta da escuderia no Mundial. Caso não utilize a diplomacia necessária com a equipe e com Schumacher, Barrichello pode deixar o time. Porém, se for ‘‘bonzinho’’ demais, correrá sério risco de se tornar um Irvine da vida.

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