Kuala Lumpur, 23 (AE) - Há 20 anos a Ferrari não chegava tão próxima de um título mundial de pilotos de Fórmula 1. Numa decisão surpreendente, o Tribunal de Apelação da Federação Internacional de Automobilismo (FIA) acatou a defesa da equipe, apresentada sexta-feira em Paris, e restituiu, hoje, os pontos para Eddie Irvine e Michael Schumacher, primeiro e segundo colocados no GP da Malásia. Eles haviam sido declassificados. "Todas as medidas dos defletores dos carros da Ferrari estavam dentro do limite de tolerância admitido pelo regulamento", afirmou Max Mosley, presidente da FIA, ao justificar a decisão dos juízes.
"Fantástico!", expressou Eddie Irvine, ao saber da notícia. O norte-irlandês já estava em Tóquio. "É um triunfo de todo o nosso time", disse, emocionado. "Eu não esperava mesmo que minha Ferrari fosse considerada ilegal." Para ele, a dobradinha da escuderia na Malásia foi amplamente merecida na pista. "Estou pensando agora apenas no domingo, em Suzuka", contou. O GP do Japão, dia 31, é o de encerramento a temporada. "Quero levar o título de pilotos e de construtores para nossa torcida." Eddie Irvine é, de novo, o lider do campeonato, com 70 pontos, diante de 66 de Mika Hakkinen, da McLaren, terceiro no GP da Malásia.
Com a confirmação do resultado da prova de Sepang, a Ferrari assume também o primeiro lugar entre os construtores, com 118 pontos contra 114 da McLaren. A matemática do título joga amplamente a favor de Irvine, mas Hakkinen ainda tem chances. Para o finlandês da McLaren ser bicampeão, basta-lhe vencer. Com os 66 pontos que tem, atingiria 76 (66 + 10). Nem mesmo se Irvine se classificasse em segundo o título seria do piloto da Ferrari.
Os dois empatariam em pontos, 76, mas Hakkinen seria bi por ter, nessa hipótese, uma vitória a mais no ano, 5 a 4. Hoje os dois têm quatro primeiras colocações. Hakkinen pode ainda não vencer e ser campeão. Se ele for segundo, somaria 72 pontos (66 + 6). Irvine teria de ser, no mínimo, quarto colocado para garantir a conquista. Com 70 pontos, o norte-irlandês atingiria 73 (70 + 3). Irvine não poderia ser quinto, o que lhe daria apenas dois pontos.
Hakkinen e o norte-irlandês empatariam em 72 pontos, teriam também o mesmo número de vitórias, 4, empatariam igualmente em segundas colocações, duas cada um, mas Hakkinen, por possuir três terceiros lugares e Irvine dois, levaria o título. O finlandês da McLaren tem chances de ser campeão até com uma simples terceira colocação. Aos seus 66 somaria 4 pontos
ficando com 70. O mesmo número de pontos de Irvine hoje.
Nesse arranjo, bastaria para o piloto da Ferrari terminar a prova de Suzuka em sexto lugar e obter um ponto para dar a mais popular equipe da F-1 uma conquista que há 20 anos persegue. O empate favoreceria o finlandês novamente. Em resumo: qualquer outro resultado que não leve Hakkinen ao pódio dá o título para Irvine. E a não ser no caso de vitória, em que o finlandês não depende do norte-irlandês, a segunda e terceira colocações ainda estão atreladas ao que conseguir Irvine.
Depois de defender, quinta-feira, a manutenção da desclassificação de Irvine e Schumacher no GP da Malásia, Mosley expôs os motivos de os cinco juízes convocados pela FIA reverem a posição dos comissários desportivos da prova. Sem entrar em detalhes, o dirigente citou o artigo 3.12.6, o que aborda a questão da tolerância nas medidas dos componentes dos carros de F-1. Como o Tribunal de Apelação é a última instância, McLaren e Stewart, escuderias beneficiadas inicialmente pela decisão de Sepang, não têm como recorrer. A postura política do Tribunal abriu um precedente capaz de abalar a imagem esportiva da F-1.

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