Após a superioridade demonstrada nos treinos livres, de classificação e no warm up, quando sempre foi mais rápida do que as demais equipes, o GP de San Marino tinha tudo para ser uma festa completa da Ferrari, na sua casa, em Ímola, e diante de sua fanática torcida. E foi.
Foi a primeira dobradinha da Ferrari em casa desde 1982, levando ao delírio os 95 mil ‘‘tifosi’’ que lotaram o autódromo (Ímola fica a 80 km da sede da escuderia, em Maranello).
Sem a chuva prevista, o alemão Michael Schumacher venceu ontem a corrida de ponta a ponta, e o brasileiro Rubens Barrichello foi o segundo, marcando seus primeiros pontos na temporada. As Williams, que pouco ameaçaram os ferraristas, vieram em terceiro (Ralf Schumacher) e quarto (Juan Pablo Montoya). ‘‘Pensava que a corrida ia ser mais difícil’’, disse o alemão, meio irônico.
Com o resultado, o piloto brasileiro - que tinha quebrado nas duas últimas corridas (Malásia e Brasil) e saído na largada da abertura da temporada (Austrália), após choque com Ralf -, impede a equiparação de seu pior início de temporada em dez anos na F-1. Em 1997, com a Stewart, Barrichello quebrou nas quatro primeiras provas do ano e só pontuar no quinto GP, em Mônaco.
Mas, antes do início da corrida, os dois pilotos da Ferrari trocaram de carros. Schumacher exigiu correr com o chassi com que Barrichello tinha disputado o treino de sábado, e o brasileiro, que pela primeira vez tinha à sua disposição o F2002, teve que se relegar em usar o carro com o qual o alemão tinha lhe tirado a pole position.
Pilotando o Ferrari que tinha o melhor acerto, o tetracampeão mundial conquistou sua terceira vitória em quatro provas na temporada e dispara na liderança da classificação do Mundial de pilotos, com 34 pontos, contra 20 de seu irmão, Ralf.
Com a 56ª vitória na carreira e a 37ª pela Ferrari, Schumacher também se tornou, ao menos nas contas da escuderia italiana, o piloto que mais vezes dirigiu o carro vermelho na F-1.
São 97 largadas, uma a mais do que o austríaco Gerhard Berger, mas uma delas é contestada: no GP da França de 1996, em Magny-Cours, o piloto alemão era o pole position, mas quebrou seu motor na volta de apresentação e não teve tempo para pegar o carro reserva e largar dos boxes.
O objetivo do alemão é mítico: igualar a marca do argentino Juan Manuel Fangio, único homem da história a acumular cinco títulos na F-1. ‘‘O F2002 é incrível. Preciso agradecer a Rory Byrne (projetista da Ferrari) por sua dedicação’’, disse Schumacher, referindo-se ao novo carro, que estreou há duas semanas no GP Brasil.
O brasileiro Felipe Massa, da Sauber, que fez uma linda ultrapassagem sobre Jarno Trulli, da Renault, a três voltas do final, terminou na oitava colocação. Enrique Bernoldi, da Arrows, fez uma ótima largada, mas abandonou a corrida na 52ª volta, com problema hidráulico, quando estava na 12º posição.

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