Ferrari desmente ordem para os pilotos
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segunda-feira, 19 de março de 2001
Agência Folha De Sepang, Malásia 
Preocupada em abafar a crise de relacionamento entre seus pilotos, a Ferrari creditou a polêmica entre Rubens Barrichello e Michael Schumacher a uma falha de interpretação do brasileiro.
Segundo Jean Todt e Ross Brawn, os diretores ferraristas, não foi passada nenhuma ordem via rádio, durante o GP da Malásia, para que o alemão se mantivesse atrás do companheiro.
Na realidade, eu apenas pedi para que os dois fossem prudentes, para que não arriscassem. Rubens interpretou errado aquilo que eu disse, afirmou Brawn. Pilotos vivem na base da emoção. E Rubens teve uma reação emotiva, porque não aconteceu nada demais, disse Todt.
A postura dos dois dirigentes bate de frente com as declarações de Barrichello depois da prova. Foi a primeira vez que ele criticou Schumacher publicamente.
O caso aconteceu na 12ª volta da corrida, ontem, em Sepang, quando os ferraristas tentavam se recuperar após terem rodado na pista molhada. Àquela altura da corrida, Barrichello estava imediatamente à frente do alemão.
Mais rápido, Schumacher superou o companheiro e iniciou uma série de ultrapassagens que acabou lhe dando a vitória.
O piloto brasileiro terminou o GP em segundo, estabelecendo a 50ª dobradinha da história da Ferrari na F-1. O que seria motivo de comemoração, porém, se transformou em polêmica. Irritado, Barrichello não cumprimentou o companheiro no pódio.
Nas entrevistas, disse que o alemão desobedeceu uma ordem expressa da equipe. De acordo com ele, Brawn havia pedido para que os pilotos se mantivessem naquela ordem, pois seria arriscado tentar uma ultrapassagem no asfalto úmido.
Estava mais rápido e fiz a ultrapassagem. Não tinha motivos para ficar atrás de um carro mais lento, afirmou Schumacher.
Ainda no domingo à noite, Todt organizou uma reunião entre os pilotos para esclarecer a situação. O receio do dirigente é que o problema prejudique a Ferrari a partir da terceira etapa do Mundial, no Brasil, em 1º de abril.
A crise entre os pilotos ganhou destaque nas edições de ontem dos principais jornais italianos. Foi uma reunião olho no olho. Schumacher explicou a Barrichello que não havia ordem nenhuma, publicou o Il Resto del Carlino, jornal de Bolonha.
Para o La Gazzetta dello Sport, em um dia que era para ser de festa, Rubens era mais desapontamento do que sorrisos.
Schumacher era muito mais veloz. Não foi desobediente, escreveu o Corriere della Sera. O La Repubblica reproduziu uma frase de Todt: Entendo Barrichello. Ele não esperava que Schumacher lhe passasse daquele jeito. Deve ser duro de aceitar.
A maioria das equipes começam a treinar amanhã, em Barcelona, já visando o Grande Prêmio do Brasil, que será disputado dia 1º de abril, em Interlagos, São Paulo.


