São Paulo, 20 (AE) - Hoje foi dia de espera para várias escuderias no Autódromo de Interlagos. Pela manhã, os equipamentos das equipes, que deveriam estar no local às 7 horas
não chegaram no horário esperado. "Os dois vôos que deveriam trazer os containers e os carros atrasaram", disse o chefe de operações da empresa Movicarga, Alexandre Valone. A empresa é responsável pelo transporte do material da Fórmula 1 que vem do Aeroporto de Viracopos, em Campinas, para o circuito. A Ferrari de Rubens Barrichello e o carro reserva da escuderia só desembarcaram por volta das 16h30 e foram a grande atração do dia.
O fenômeno é comum na Fórmula 1. "É sempre assim", disse o coordenador da McLaren, Jo Ramirez. A notícia do atraso não agradou aos mecânicos da Ferrari, Jaguar e Sauber, que esperavam pelos equipamentos no autódromo. Todos sabem que o atraso significa trabalho dobrado para recuperar o tempo perdido. A maioria prefere não se identificar, por ordem das escuderias, mas o descontentamento foi geral. "Estamos um dia e meio atrasados", disse o mecânico da Jaguar que aguardava pacientemente no boxe vazio da escuderia. "Com certeza vamos virar a noite trabalhando."
Na Ferrrari, os mecânicos passaram o dia sem ter o que fazer. "Nos disseram que houve um atraso no vôo", disse, resignado, um mecânico da escuderia. "Do jeito que vai, vamos trabalhar até tarde." A chegada de dois carros e dos containeres no fim da tarde deixou a equipe mais alividada. O trabalho irá até altas horas, mas não será necessário passar a noite em Interlagos.
Segundo Valone, 30 caminhões haviam saído de Viracopos no início da tarde com todos os equipamentos. O atraso trouxe uma dificuldade a mais para o transporte: o trânsito na rodovia dos Bandeirantes. A expectativa do chefe de operações é de que sua equipe passasse a noite trabalhando no desembarque de carros e containeres.
Problema para uns, vantagem para outros. McLaren, BAR e Williams, que trouxeram todo o material no fim de semana, terminaram hoje a montagem dos boxes e aproveitaram para trabalhar nos carros da escuderia. Na Benetton e Arrows, apesar dos veículos não terem chegado,o tempo não foi de todo perdido pois alguns dos baus já estavam no autódromo e havia em que trabalhar.
Reconhecimento - O piloto de testes da Jaguar, o brasileiro Luciano Burti, aproveitou o dia de hoje para percorrer todo o circuito. "De uma maneira geral é nítida a melhora da pista, mas ainda não dá para adiantar a avaliação dos pilotos", diz. "A diferença entre pilotar um carro comum, que é muito alto e de um Fórmula 1, que fica a 10 milímetros do chão e tem um sistema de amortecimento bem menos sensível, é muito grande."

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