O maior trabalho que Gil de Ferran terá até a próxima etapa da temporada, dia 27, em Nazareth, será recuperar o ânimo. Gil terminou o GP de Long Beach arrasado com mais um acidente, o sétimo em sete provas. Depois de bater no muro e descer do carro, Gil voltou a pé para os boxes de cabeça baixa, com o capacete na mão. Mal conseguiu falar.
‘‘Tenho de pedir desculpas à equipe, que me deu um carro muito bom este fim de semana’’, disse. Os mecânicos da Walker trabalharam até tarde para aprontar o carro reserva, depois que Gil bateu a 300 km/h na traseira de Guálter Salles com o titular no treino de sábado. Nas últimas corridas, os integrantes do time têm feito esforço redobrado para recuperar os carros batidos por Gil. A frequência de acidentes do piloto brasileiro tem sido a mesma do antigo piloto do time, o americano Robby Gordon.
Gil não tem explicações para a série de batidas. Ele assiste aos vídeos das corridas para analisar suas atuações. ‘‘Procuro aprender com os outros, observar minhas manobras e fazer uma autocrítica’’, disse. ‘‘Muitos pilotos têm medo desta avaliação, porque não faz bem para a autoconfiança.’ Depois de ver e rever os acidentes em Mid-Ohio (com Maurício Gugelmin), Elkhart Lake (com Alessandro Zanardi), Miami (sozinho no treino e com Dennis Vitolo na corrida), Austrália (com Christian Fittipaldi) e os dois em Long Beach (com Guálter Salles e sozinho), concluiu que só errou grosseiramente duas vezes, em Mid-Ohio e na corrida de domingo.
O patrão Derrick Walker tem opinião parecida. ‘‘Não creio que todos os acidentes tenham sido culpa dele’’, comentou. Walker não pretende fazer advertência ao seu piloto. ‘‘Gil é esperto e inteligente e não precisa de conselhos’’, afirmou. O patrão disse ter conversado bastante com o brasileiro antes do GP de Long Beach sobre a necessidade de terminar a prova. ‘‘É melhor ser terceiro colocado do que último’’, afirmou, numa alusão à posição em que Gil ocupava na prova.
Para Walker, Gil talvez esteja sentindo a pressão do time e dos patrocinadores por resultados. ‘‘Não quero deixá-lo ainda mais perturbado’’, afirmou. ‘‘Mas creio que este acidente vai acordá-lo.’ Walker ainda não calculou o prejuízo financeiro que Gil já lhe deu. A equipe não fez o seguro de US$ 150 mil que cobre acidentes por uma temporada. ‘‘Me arrependi’’, admitiu Walker.

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