O garoto humilde do interior parte para a cidade grande levando sonhos e a angústia de não poder fracassar, sob pena de condenar a família a uma vida eterna de dificuldades.
A história é um clichê no País do futebol, mas Fernando Luiz Roza, 17 anos, não pretende mesmo ter uma trajetória original. O objetivo do garoto é seguir a mesma estrada aquela que desembocou na glória pentacampeã de outro talento pé-vermelho: Kléberson.
Uma vida parece inspirada na outra. Como o ídolo de ascensão fulminante, Fernando se descobriu especial demais para continuar no pobre futebol londrinense, um deserto de ídolos e de times profissionais competitivos.
Amanhã, o meia-ofensivo já estará na casa nova. Seu novo endereço será o alojamento do Atlético Paranaense, no mais sofisticado centro de treinamento do País. Para quem o observou entre eles Aliomar Manzano, o Ticão, o olheiro mais famoso do Norte do Estado não vai demorar até que ele brilhe ao lado dos profissionais no estádio mais moderno do País, a Arena da Baixada. E não duvidem, dizem os que já viram seu vistoso futebol, o jogador pode um dia transformar o Atlético novamente no maior time do País.
Como Kléberson, Fernando (o Buiú, como era conhecido nas ruas do seu Conjunto Lindóia, na zona norte de Londrina) tem o carimbo de qualidade da fábrica de craques PSTC, onde surgiu Dagoberto, outro xodó da torcida atleticana. Há um ano e meio dorme, treina e se alimenta no PSTC, o precioso parceiro que o Atlético encontrou na terra onde não tem torcida.
''Não vai pesar. Sempre tive responsabilidade e agora não vai ser diferente'', responde firme o estudante do 2º ano do Ensino Médio, que quer completar o curso no Supletivo que é ofertado no alojamento do rubro-negro.
Filho do dono de mercearia (ex-eletricista) Luiz Carlos Roza, 50 anos, o ex-volante Luizão, o garoto se diverte mais uma vez com outra coincidência contada pelo pai. ''Joguei dois anos inteiros ao lado do pai do Kléberson. No time, ele era o Fumaça, um ponta-esquerda dos bons. A gente dava trabalho no amador de Ibiporã. O time era o Volks''.
Fernando tem 1,76m, é franzino (''66 quilos. Vou ter que fazer um trabalho para especial para 'pegar' corpo''), habilidoso, gosta de ser lançado em velocidade (''é meu ponto forte''), cabeceia, gosta de chutar da entrada da área. Tem espírito de liderança. Foi capitão dos juvenis no primeiro semestre.
As características, que também poderia estar em qualquer perfil de Kléberson, lhe renderam 19 gols no Campeonato Estadual juvenil, vencido pelo PSTC. Foi o melhor jogador da primeira edição da Copa Londrina juvenil, que o PSTC também levantou com facilidade.
Junto com ele, vai o meia-defensivo Adilson, 18 anos. No novo grupo de trabalho, estarão também outros dois colegas do PSTC: o meia-defensivo Alan e o lateral-direito André, ambos de 19 anos. ''Quero ser um profissional e vou fazer de tudo para jogar no Atlético. Depois penso em seleção e transferência para o Exterior'', diz o garoto, trabalhado psicologicamente para evitar a ansiedade de fazer fortuna com o talento propagado aos quatro ventos.

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