Fernando Baiano tenta manter a cabeça no lugar
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sexta-feira, 12 de março de 1999
Por Arnaldo Ribeiro 
São Paulo, 13 (AE) - Assim como o rival Dodô, Fernando Baiano está ansioso pelo reencontro com a torcida no clássico de manhã à tarde. Mas, ao contrário do atacante são-paulino, que vive às turras com os seus torcedores, o corintiano vive a expectativa de ser saudado pela primeira vez em campo como um ídolo. Idolatrado pelos cinco gols que marcou contra o Cerro Porteño, Fernando Baiano tem neste domingo duas preocupações direcionadas para o mesmo local: a cabeça.
Por um lado, o artilheiro teme que o sucesso repentino, que mudou a sua vida de um dia para o outro, lhe ludibrie. Por outro
luta para aperfeiçoar o seu fundamento mais deficiente: as cabeçadas.
"O cabeceio é uma coisa que me preocupa, apesar de eu achar que tenho de melhorar em tudo", afirma. Baiano aponta, sem vacilar, a sua maior virtude: "o drible e a facilidade de partir em direção ao gol." Psicologicamente, o novo xodó corintiano tenta repetir o discurso dos mais experientes. "Tenho de manter a cabeça no lugar, não me mascarar porque a cobrança vai aumentar", afirmou.
Mas Fernando Baiano admite que já se sente uma nova pessoa depois dos cinco gols contra os paraguaios. "Estou mais forte, mais confiante", diz. As próprias declarações demonstram isso. Diante da insistente procura do clube por um atacante, o jogador garante que não se incomoda. "Vou mostrar que eu sou o atacante que o Corinthians tanto persegue."
Duelo - Fernando evita fazer do clássico um duelo particular entre ele e Dodô. "Eu acho o Dodô um excelente atacante, mas não vou enfrentar o Dodô, vou enfrentar o São Paulo", afirma.
O jogador busca vencer o seu primeiro clássico paulista como profissional. "Já deu para aprender que clássico se ganha nos detalhes; um atacante como eu, por exemplo, não pode desperdiçar chances de gol." Baiano garante que não está pensando em repetir a performance da última quarta-feira. "Se a equipe vencer, mesmo se eu não marcar, eu ficarei feliz", assegura.
Dias difíceis - Em todas as entrevistas, o artilheiro corintiano lembra-se das dificuldades que enfrentou na carreira. Antes de se profissionalizar, passou por duas cirurgias: uma no tornozelo e outra, no joelho. "Graças ao apoio da família e dos amigos, eu consegui superar tudo; num momento desse, o jogador pensa num monte de besteiras e sem uma retaguarda fica muito difícil", afirma ele, que chegou a pensar em abandonar a carreira.


