O tetracampeonato da seleção brasileira Sub-20 no Campeonato Mundial, disputado nos Emirados Árabes, não só entrou para a história do vitorioso futebol nacional, como também já é um marco inesquecível para o londrinense Fernando Luiz Roza, 18 anos, que ganhou o apelido de Fernandinho desde que deixou o PSTC rumo ao Atlético Paranaense, em meados do ano passado. O jogador, que deve chegar hoje em Curitiba, marcou o gol decisivo na final contra a Espanha, na sexta-feira, aos 42 minutos do segundo tempo, quando o jogo parecia que seria decidido na morte súbita, ou pior ainda, nos pênaltis.
Em Londrina, sua tia, Aparecida Conceição Roza, que criou a futura promessa, hoje concretizada, lembra bem dos primeiros passos do jogador. ''Ele sempre gostou de bola. Aos quatro anos, ao invés de uma bola de borracha, ele pediu uma bola de capotão'', recorda.
Daí em diante, sua paixão pelo futebol só cresceu e até mesmo superou os momentos mais difíceis hoje, seus pais estão separados. ''Um divórcio sempre é difícil para uma criança e foi também para o Fernandinho. Além disso, teve uma época em que o pai dele não podia ajudar e eu tinha menos dinheiro e não podia ajudar muito também'', diz a enfermeira, que mora numa casa simples no Conjunto Lindóia, zona leste de Londrina.
''Uma vez ele disse pra mim que ia jogar um campeonato no conjunto São Lourenço e eu falei que não tinha dinheiro pra ele. Ele me respondeu: 'Não se preocupa que eu vou ganhar e vou comer pão com mortadela'. E ele ganhou mesmo'', recordou. Em seguida, Cida foi quem comprou a primeira chuteira do garoto. ''Ele começou a treinar no PSTC e disse que não tinha como participar sem ter uma chuteira do número certo. A que ele usava era uma que a gente mesmo tinha mandado fazer'', confessou.
A partir de então, o futuro do garoto foi depositado na fábrica de craques do PSTC, que revelou ainda o veloz atacante Dagoberto, também campeão mundial no Oriente Médio ele foi convocado sexta-feira para a seleção Sub 23, que disputará o torneio pré-olímpico no Chile. Desde pequeno, aos 13 anos, na categoria mirim, Fernandinho já despertava atenção. ''A gente via que ele era diferenciado. A maneira de tratar com a bola, a facilidade no toque, a impulsão, a dedicação, tudo levava a crer que tínhamos um craque na mão'', disse o técnico José Mendes de Souza, o Zequinha, que cuida da equipe infantil do clube-escola.
As comparações com o tetracampeão Kléberson foram inevitáveis. Leandro Carlos Niehues, técnico da equipe juvenil, sempre viu semelhanças entre os meias. Acredita até que Fernandinho tenha capacidade para ir mais longe. ''Sempre foi uma aposta nossa. A gente dizia que ele seria igual ou melhor do que O Kléberson.''

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