Fernandinho descansa com a cabeça em Pequim
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sábado, 24 de maio de 2008
Dimas Rodrigues<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Há três anos, quando deixou o Atlético Paranaense para jogar no Shakhtar Donetsk, na distante Ucrânia, o meia Fernandinho poderia figurar na enorme lista de jogadores talentosos que deixam o país cedo e, negociados, ficam esquecidos em times pouco conhecidos lá fora. E esse receio não era à toa. À época, o jogador nascido em Londrina tinha apenas 20 anos e um currículo de peso que incluía um Paranaense, um vice no Brasileiro e outro na Libertadores, todos pelo Furacão; inúmeras convocações para as seleções de base e uma convocação para a seleção brasileira principal.
Deixar para trás a promissora carreira no Brasil e ir para um país com pouca tradição no futebol, mesmo com a garantia de um futuro melhor financeiramente, significava naquele momento abrir mão do sonho de todo o boleiro: jogar na seleção.
Porém, após disputar três temporadas na gélida Ucrânia, o versátil e hábil jogador que já atuou na lateral, na meia e no ataque soube que não estava no ostracismo. Na semana passada, ele foi informado que seu nome estava na lista dos jogadores pré-convocados pelo técnico Dunga para a Olimpíada de Pequim. ''Fiquei muito contente, pois todos falam que (a Ucrânia) é longe, ninguém vê o campeonato de lá, mas de uma forma ou de outra, tem gente acompanhando o trabalho dos brasileiros lá fora'', disse o jogador que passa férias em Londrina.
A pré-convocação é apenas uma recompensa por tudo o que o jogador passou na Ucrânia. Fora o frio, outro problema na adaptação do jogador foi aprender o idioma russo e o ucraniano. ''Hoje eu consigo falar e entender, consigo me comunicar'', disse o jogador que iniciou a carreira aos 14 anos, no PSTC, de Londrina.
A adaptação foi facilitada no clube e no país, pois seis meses antes da chegada de Fernandinho, o Shakhtar já havia contratado outro ex-atleticano: o meia Jadson, que também nasceu em Londrina. Antes deles, o clube já contava com o atacante brasileiro Brandão - que já está há seis temporadas na equipe.
A legião de brazucas no clube cresce a cada temporada. Atualmente o time conta ainda com o lateral Ilsinho (ex-São Paulo), o meia Willian (ex-Corinthians) e o atacante Luís Adriano (ex-Internacional).
A chegada dos talentos brasileiros foi fundamental para o crescimento da equipe no cenário local e mundial. ''Há seis anos atrás ninguém ouvia falar no Shakhtar. Eu mesmo não conhecia. Mas depois o time, que fez um projeto de longo prazo para crescer, mostrou força e o objetivo agora do clube é passar da fase de grupo da Champions League'', comentou.
Nesse ano, a equipe disputou a principal competição européia, e em um grupo com Milan, Benfica e Celtic foi desclassificada na primeira fase. No entanto, Fernandinho e os torcedores do Shakhtar não têm motivos para reclamar. Pelo contrário. A equipe venceu o Campeonato Ucraniano e a Copa da Ucrânia, justamente sobre o principal rival: o Dínamo, de Kiev. ''Mostramos que o time não era fraco e conquistamos os dois campeonatos'', comemorou.
Apesar de atuar na meia, Fernandinho marcou 12 gols e foi considerado o melhor jogador do campeonato ucraniano, provando que a distância não ofuscou a sua estrela.


