Fernanda deseja só descansar
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terça-feira, 06 de maio de 1997
Agência Estado 
Cansada, depois de 15 horas de viagem desde Medellín, na Colômbia, com conexão em Buenos Aires, a equipe do Leites Nestlé desembarcou ontem em São Paulo, sem festa. Embora tenha conquistado o título sul-americano na noite de domingo, o único que lhe faltava, o grupo voltou para casa com ares de quem apenas cumpriu tabela, sem muitos motivos para comemorar. Nem mesmo o título de melhor levantadora da competição entusiasmou Fernanda Venturini.
Ela precisou de apenas 30 minutos para descer do avião, pegar sua bagagem, passar pelo serviço de imigração, dar entrevistas no saguão do Aeroporto de Cumbica e desaparecer na Rodovia dos Trabalhadores, num táxi. Dispensou até as compras no free-shopping. Estava apressada ao chegar, na manhã de ontem. A campeã sul-americana tinha um compromisso inadiável: Estou saindo de férias. Também encerrava um ciclo de três anos no Leites Nestlé, onde conquistou todos os títulos possíveis.
Quando voltar da praia, dentro de 45 dias, vai estar em Curitiba, defendendo o Rexona. A mudança não é só de cidade. Vou morar com o Bernardinho (técnico do time e da seleção brasileira feminina) e, se tudo der certo, se ele não me encher o saco, a gente deve casar no ano que vem, diz, sorrindo. Filhos? Quero ter o primeiro por volta dos 30 anos, diz a levantadora, que tem 26.
Fernanda não quer pouco. De olho na câmera de TV diz que é ambiciosa e adora desafios. Agora quero conquistar todos os títulos que consegui no Leites Nestlé, no Rexona, afirma, mesmo admitindo que o ranqueamento vai favorecer as equipes que menos sofrerem mudanças. Não é o caso da sua, recém-criada.
De férias da seleção brasileira, a levantadora vai dividir-se este ano entre as quadras e a loja de material esportivo que pretende abrir em Curitiba. Ela não descarta a possibilidade de ir parar nas quadras de areia num futuro não tão próximo. No piso sintético, vai tentar melhorar seu bloqueio.


