Férias dos jogadores estão comprometidas
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terça-feira, 24 de agosto de 1999
Por Paulo Guilherme 
São Paulo, 25 (AE) - Já foi o tempo em que os jogadores podiam reservar o mês de janeiro para viajar, estar com a família, enfim, passar algumas semanas longe da bola. O aumento do número de competições, provocados principalmente pelos interesses das emissoras de televisão e das empresas patrocinadoras dos clubes, vem inchando o calendário do futebol brasileiro. O resultado disso é uma invasão de torneios no mês de janeiro. As próximas férias dos jogadores já estão comprometidas. O primeiro mês do novo milênio tem cinco competições programadas.
Algumas equipes estarão envolvidas no Mundial de Clubes, Torneio Rio-São Paulo, Taça São Paulo de Juniores e o início dos campeonatos estaduais. Além disso, os clubes terão de ceder seus principais jogadores até 23 anos para a seleção brasileira que vai disputar o Torneio Pré-Olímpico.
Sem trégua - O Corinthians e o Vasco, por exemplo, praticamente não dará férias aos seus jogadores. O 1.º Mundial de Clubes será realizado no Rio de Janeiro e em São Paulo de 4 a 15 de janeiro do ano 2000. Os jogadores dos dois representantes brasileiros nesta competição já sabem que o tempo de descanso será mínimo. Se uma destas equipes chegar às finais do Campeonato Brasileiro ou da Copa Mercosul, os jogadores não terão descanso. Eles terão apenas alguns dias na semana do Natal e para repousar e logo estarão se preparando para a disputa do Mundial.
A tabela do Torneio Rio-São Paulo está sendo elaborada e deverá programar jogos entre a última semana de janeiro até o início de março. O Campeonato Paulista também não tem data definida mas deverá começar na última semana de janeiro sem a participação dos grandes clubes que estarão disputando o Rio-São Paulo.
A Taça São Paulo de Juniores vai da primeira semana do mês até o dia 25. Nos últimos anos, o torneio dos garotos que tomava toda a atenção nacional por ser a única competição em curso no mês de janeiro perdeu força com a criação de outros torneios.
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) sugere que os jogadores tenham as férias divididas em duas partes, tirando 15 dias em janeiro e mais 15 em julho. O presidente da Fifa, Joseph Blatter, espera que a partir de 2006 o futebol tenha um calendário internacional unificado para que todo mundo tire férias em janeiro.
Mãos atadas - Os próprios jogadores estão sendo coniventes com o atropelamento dos seus direitos. O presidente do Sindicato dos Atletas Profissionais do Estado de São Paulo, Rinaldo Martorelli
diz que a entidade só pode agir juridicamente para garantir os direitos dos jogadores se os atletas procurarem o sindicato para se manifestar contra a redução das férias. "Os jogadores não assumem nenhuma postura, assim fica complicado", diz Martorelli
destacando que até hoje não recebeu queixa formal de nenhum jogador.
Ele acredita que com diálogo é possível solucionar o problema, buscar um escalonamento no elenco das principais equipes como fez o Palmeiras no início deste ano. "A mentalidade dos clubes está mudando, eles já permitem o diálogo mas é preciso que os jogadores se manifestem", reforça Martorelli. "Os jogadores precisam perceber que o sacrifício que estão fazendo agora pode ter reflexo no futuro, daqui a algum tempos eles podem perder dois anos da carreira e será um grande prejuízo financeiro."


