Em busca da terceira colocação no Mundial de Pilotos da F-1, Rubens Barrichello encerra na madrugada de amanhã o seu primeiro campeonato pela Ferrari alegando ter sido ‘‘mal interpretado’’ no Brasil ao longo do ano. Para superar David Coulthard na classificação final, ele precisa vencer o GP da Malásia e contar com que o escocês não fique entre os seis primeiros colocados.
O terceiro – até mesmo o quarto – lugar no Mundial seria, de longe, a melhor classificação em sua carreira na categoria. O GP da Malásia, 17ª e última etapa do Mundial, começa às 5 horas (horário de Brasília), com transmissão ao vivo da Rede Globo.
‘‘Sei que em algum momento vou lutar pelo campeonato deste ano’’, afirmou Barrichello em março, na Austrália, na sua corrida de estréia pela Ferrari. ‘‘Neste ano, eu quero ganhar cinco corridas’’, declarou, na semana que antecedeu o GP Brasil.
Sete meses e 14 corridas depois, a realidade mostra-se diferente. Barrichello venceu uma prova, o GP da Alemanha, em julho – e só. No Mundial, nunca chegou a ser uma ameaça a Michael Schumacher, o campeão antecipado, e a Mika Hakkinen, da McLaren.
Diante do panorama ao final da temporada, o brasileiro alterou radicalmente o seu discurso. E, em Sepang, pouco lembrava aquele Barrichello de Melbourne. ‘‘No começo do ano eu tive algumas dificuldades. Aquela coisa de sempre: o Brasil estava esperançoso... E acho que aquilo que eu quis dizer acabou sendo um pouco mal interpretado. Eu queria é que o Brasil acreditasse que eu era capaz de ganhar’’, disse. ‘‘Hoje, tenho mais do que o dobro, quase o triplo, do meu recorde anterior de pontos. Acho que atingi meu objetivo, minha vontade na temporada. Acabo o campeonato feliz.’’
O piloto brasileiro reconheceu que a apreensão por correr em um time grande o atrapalhou na primeira metade da temporada. ‘‘O Michael ganhou uma, duas, três, e eu estava sempre ali, achando que podia ganhar. Mas, na verdade, só fui conquistar minha primeira vitória quando relaxei’’, analisou. ‘‘Ser o número dois do Schumacher não é fácil. Ele é uma pessoa que luta por seus ideais, que está sempre no limite do carro. É um piloto extremamente rápido. E existem as ordens da equipe.’’
Na madrugada de amanhã, excepcionalmente, as ordens dos boxes podem se voltar a favor do brasileiro. Caso Coulthard esteja eliminado da prova e Schumacher e Barrichello formem o pelotão da frente, os chefes da Ferrari devem pedir para que o alemão abra passagem ao companheiro.
Para a prova, o time italiano cogitava usar uma nova versão de seu motor V10, ‘‘anabolizado’’ para esta última etapa do campeonato. Afinal, mais importante até do que a discussão sobre a ajuda a Barrichello, a principal meta da Ferrari em Sepang é vencer o Mundial de Construtores.
A missão é relativamente fácil: com um quarto lugar de um de seus pilotos, a Ferrari garante o título, independentemente até de uma ‘‘dobradinha’’ da McLaren.