São Paulo - Darío Conca tem apenas 1,67m e pesa só 58kg. Mas em campo ele se transforma em um gigante que comanda o Fluminense na acirrada briga pelo título brasileiro. Não à toa, está à frente de figurões como Deco e Fred na preferência da torcida tricolor, que não comemora o título nacional há 26 anos e exige que a diretoria renove imediatamente o contrato do ídolo, que vai terminar apenas no fim de 2011.
O argentino também caiu nas graças de Muricy Ramalho. O técnico não se cansa de louvar o talento e a raça de seu camisa 11. Em alta, Conca sonha em chegar à seleção argentina e, depois, disputar a Copa do Mundo de 2014. De uma coisa os ''hermanos'' podem ter certeza: nenhum outro argentino conhece tão bem o Maracanã, palco da decisão do próximo Mundial, quanto esse meia tímido e franzino.
Agência Estado - O Fluminense está na briga pelo título, mas tropeçou várias vezes nesta reta final do Brasileiro. O time tem condições de lutar pelo título até o fim?
Conca - Claro que sim, pois todos os times também enfrentam dificuldades. Continuamos firmes na briga. Até a última rodada a disputa será muito grande.
AE - Em 2007, quando chegou ao Brasil para jogar no Vasco, você imaginava que se tornaria um dos melhores jogadores do País?
Conca - Fico muito feliz por esse reconhecimento, é uma alegria enorme. Sempre tentei fazer o meu melhor em todos os clubes em que joguei, com comprometimento e empenho.
AE - Existe alguma receita para ser chamado de ''rei das assistências'' do Brasileiro?
Conca - Não tem nenhum segredo. Acho também que a qualidade dos nossos atacantes facilita o trabalho de quem joga no meio de campo.
AE - As pessoas falam que você é muito tímido e, por isso, não é bom de marketing. Pensa em mudar o seu jeito fora de campo?
Conca - Acho que o mais importante é o trabalho feito no dia a dia e o desempenho dentro de campo. Sobre meu jeito fora dos gramados, sou tímido mesmo, desde criança.
AE - Você não tem muita força física e, mesmo assim, atuou em todos os 32 jogos do Fluminense neste Campeonato Brasileiro. Isso prova que o talento vale mais do que a força?
Conca - O talento é muito valorizado tanto aqui no Brasil quanto na Argentina, por isso são considerados os dois melhores países no futebol em todo o mundo. Acho que jogadores assim deverão ter sempre espaço.
AE - O fato de dois argentinos (você e o Montillo, do Cruzeiro) serem os principais destaques do Brasileiro é uma demonstração de que os atletas brasileiros estão em baixa?
Conca - Não, é apenas uma coincidência. Grandes jogadores brasileiros também estão se destacando, como o Elias no Corinthians, o Neymar no Santos, o Thiago Ribeiro no Cruzeiro, entre outros. Se eles jogassem na Argentina também se destacariam.
AE - O Sérgio Batista, técnico interino da Seleção da Argentina, já disse que se for efetivado no cargo vai promover uma profunda reformulação na equipe. Você sente que poderá ter uma chance com ele?
Conca - É uma esperança, sem dúvida. Vou continuar trabalhando forte para conquistar meu espaço na seleção.
AE - Sonha em disputar a Copa de 2014?
Conca - Seria uma grande alegria. Tenho muito tempo até lá para conseguir esse objetivo.
AE - Em São Paulo, o Muricy Ramalho ganhou a fama de ranzinza, mas no Rio adotou uma linha mais tranquila. Como está sendo trabalhar com ele?
Conca - Ele não tem nada de ranzinza. Trabalhar com ele está sendo um grande privilégio para mim. Ele é um treinador que sabe tudo de futebol e tem uma ótima visão de jogo. O Fluminense só tem a ganhar com ele no comando.
AE - O Muricy disse recentemente que você joga dez vezes mais do que ele jogava. Como encara esse elogio do chefe?
Conca - Receber elogio do chefe é sempre bom, não? Espero continuar agradando a ele e a toda torcida do Fluminense.
AE - Seu contrato termina no fim de 2011. Como estão as negociações para a renovação? Você pensa em continuar no clube ou em jogar na Europa?
Conca - Estou tranquilo quanto a isso e o momento não é de me preocupar com essas questões. Estamos focados na disputa do Campeonato Brasileiro e o mais importante é a concentração total nessa fase decisiva.

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