Felipe Melo segue os passos de Dunga na seleção brasileira
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sábado, 08 de agosto de 2009
Thiago Mossini<br> Repotagem Local 
Ele chegou à seleção bastante questionado. Muita gente não se conformava com sua convocação. Jogador mediano, indisciplinado, não está no nível da seleção. Felipe Melo ouviu tudo isso no começo do ano, quando o técnico Dunga o chamou pela primeira vez para um jogo do Brasil, no amistoso contra a Itália. Seis meses depois ele é dono absoluto da camisa 5 amarela. Esteve em todas as convocações desde então e foi titular em todos os jogos. Sete meses depois, mostrou segurança na saída de bola, força nos desarmes, qualidade no apoio e, assim, calou os críticos, mostrando que a aposta do treinador era certa.
Felipe Melo, 26 anos, falou com exclusividade à FOLHA sobre o momento que vive. Ele acaba de trocar a Fiorentina pela Juventus, numa transação que envolveu mais dinheiro do que a badalada contração do meia Diego pela Velha Senhora. O volante custou 25 milhões de euros (cerca de R$ 68 milhões) aos cofres da equipe de Turim.
A história de Felipe Melo na seleção brasileira é semelhante à do técnico Dunga. Em 90, o atual comandante brasileiro também era volante da Fiorentina quando foi convocado por Sebastião Lazaroni para o time que fracassou na Copa da Itália. Bastante questionado, Dunga teve a redenção e o reconhecimento quatro anos depois, ao levantar o título mundial nos Estados Unidos.
''O Dunga é uma pessoa fantástica de se trabalhar'', afirmou o volante, que estreou na terça-feira com a camisa da Juventus na vitória por 3 a 0 sobre o Seongnam Ilwha, da Coreia do Sul.
Nascido em Volta Redonda, Melo começou no Flamengo, passou ainda por Cruzeiro e Grêmio. Na Espanha, defendeu Mallorca, Racing Santander e Almería, até chegar à Fiorentina.
Pela seleção, são dez jogos. O volante esteve em campo o tempo todo nas partidas em que atuou desde a sua primeira convocação, em fevereiro, no amistoso contra a Itália em Londres. Marcou dois gols nesse período e conquistou o título da Copa das Confederações, na África do Sul, no fim de junho.
Convocado pela quinta vez por Dunga, Felipe Melo estará em campo na quarta-feira quando o Brasil encara a Estônia, em Tallin, em partida amistosa. Antes, falou à FOLHA sobre o ano de 2009, o melhor de sua carreira:
Folha: Sete meses atrás você era mais um brasileiro na Liga Italiana. Seu nome não era nem cogitado para a seleção. Oito meses depois, você virou titular absoluto do time de Dunga, fez gols, está praticamente garantido na Copa e acaba de se transferir para um grande time da Itália. Como você encara essa reviravolta na sua vida em tão pouco tempo?
Felipe Melo: Tudo fez parte de um planejamento. Sabia do meu potencial, sabia onde gostaria de chegar e o que tinha que fazer. Ainda não me vejo na Copa, mas sei que estou bem perto. Estou muito feliz com tudo que está acontecendo em minha vida, mas é fruto do poder de Deus e de muito trabalho e dedicação.
Folha: Você esteve em todas as convocações desde o jogo contra a Itália, no começo do ano, e foi titular em todos os jogos. O que você acha que contribuiu para que o técnico Dunga confiasse tanto em você tão rapidamente?
Felipe Melo: A personalidade que consegui mostrar com a camisa da seleção. Confesso que antes da estreia estava bem nervoso, mas depois me senti à vontade e isso ajudou muito.
Folha: Você já se considera dono da camisa cinco do Brasil na África do Sul?
Felipe Melo: Longe disso. Sei que vou ter que batalhar muito para me garantir na posição, pois o país é recheado de excelentes jogadores.
Folha: Como lidou com as críticas nas primeiras convocações?
Felipe Melo: Fiquei chateado com muitas. Alguns jornalistas acompanhavam realmente o Campeonato Italiano e sabiam o quanto eu vinha jogando. Outros me criticaram gratuitamente, até mesmo com ofensas pessoais, mas superei tudo com muita aplicação durantes as partidas.
Folha: 2009 está sendo o melhor ano da sua carreira?
Felipe Melo: Sem dúvida. Estou colhendo esse ano os frutos de muitos anos de trabalho. Apesar de eu ser de Volta Redonda, no interior do Rio, morava com meus avós em São Gonçalo e tinha que sair de casa às 5 horas da manhã para treinar no Flamengo e pegar dois ônibus todos os dias. Entre ida e volta enfrentava mais de três horas de viagem.
Folha: Como controlar o oba-oba em volta da seleção após os bons resultados deste ano e não deixar que isso atrapalhe no caminho para a Copa do Mundo?
Felipe Melo: Acredito que o exemplo da última Copa será suficiente para que a CBF conduza tudo de uma maneira diferente. Mas isso não cabe a mim.
Folha: Como é trabalhar com o técnico Dunga? Ele é daquele jeito durão, mal-humorado no dia a dia com vocês também?
Felipe Melo: Não, não. O Dunga é uma pessoa fantástica de se trabalhar. Conversa com os jogadores e está sempre preocupado em preservar os atletas até mesmo dos críticos. Ele tem o grupo na mão, sem falar que é um vitorioso e as pessoas vitoriosas são exemplos a serem seguidos.
Folha: A Juventus se reforçou com você, com o Diego. É possível almejar um algo mais na Liga dos Campeões e no próprio Campeonato Italiano?
Felipe Melo: A Juventus é um dos gigantes do futebol mundial. Estou muito feliz e orgulhoso em poder vestir essa camisa e, sem dúvida, sempre que entrar em uma competição será com o objetivo de conquistar o título.
Folha: Qual a diferença entre o futebol espanhol e o italiano?
Felipe Melo: O futebol italiano é mais pegado. Por isso, na minha primeira temporada, levei muitos cartões. A adaptação ao italiano é bem mais difícil para quem vem do futebol espanhol. O caminho inverso é mais fácil. Apesar de atuar por várias temporadas na Espanha, não encontrei muitas dificuldades.


